A temperatura da água do mar deverá voltar a subir em praticamente toda a costa continental nos próximos dias, mas nem todas as praias sentirão o fenómeno da mesma forma. As previsões indicam que Lisboa, a costa vicentina e o litoral norte serão as principais exceções, mantendo valores inferiores aos registados no resto do país, numa altura em que várias zonas poderão aproximar-se dos 26 graus.
De acordo com o Correio da Manhã, esta será a terceira subida significativa da temperatura do mar em apenas duas semanas. Os mapas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) mostram que, a partir desta segunda-feira, 20 de julho, grande parte do litoral continental deverá ultrapassar os 20 graus, refletindo um novo episódio de aquecimento das águas.
Peniche perde parte da fama de águas frias
Mesmo locais tradicionalmente conhecidos por águas mais frias deverão registar temperaturas superiores às habituais. Em Peniche, por exemplo, a previsão aponta para valores na ordem dos 20 graus, um cenário pouco frequente para aquela zona da costa atlântica.
Enquanto isso, o Algarve continua entre as regiões onde a água do mar deverá apresentar temperaturas mais elevadas. Numa das anteriores ondas de calor marinho deste ano, a temperatura ao largo de Faro chegou aos 26,1 graus, um dos valores mais altos registados em 2026.
Fenómeno repete-se com maior frequência
O Instituto Hidrográfico classificou o primeiro episódio deste verão como “moderado” e o segundo como “forte”. A entidade explica que esta avaliação depende sobretudo da duração do fenómeno e não apenas da temperatura máxima atingida.
Este tipo de eventos continua a ser relativamente raro na costa portuguesa, embora esteja a tornar-se cada vez mais frequente em várias regiões do planeta, uma tendência associada às alterações climáticas.
Ilhas mantêm tendência de águas quentes
Também nos arquipélagos portugueses as previsões apontam para temperaturas elevadas da água do mar. Os mapas divulgados pelo IPMA mostram os Açores e a Madeira abrangidos por valores superiores ao habitual para esta época do ano.
Apesar da subida generalizada, a intensidade do aquecimento não será uniforme ao longo da costa. As previsões mantêm Lisboa, a costa vicentina e o litoral norte como as áreas onde o aumento deverá ser menos expressivo, contrastando com o restante litoral continental.
Há um recorde que continua por bater
Embora os 26,1 graus registados este ano ao largo de Faro estejam entre os valores mais elevados dos últimos tempos, continuam abaixo do máximo observado em Portugal. O recorde nacional foi alcançado a 28 de julho de 2016, quando uma boia costeira de Faro mediu 26,5 graus.
Segundo a mesma fonte, a diferença é ainda maior quando comparada com o máximo mundial conhecido. Na Florida, nos Estados Unidos, a água do mar chegou aos 38,4 graus, um valor muito acima dos registos observados em águas portuguesas.
Aquecimento também se faz sentir na Europa
A tendência não se limita à Península Ibérica. O Mar do Norte registou recentemente uma temperatura de 20,4 graus, quando a média habitual para esta altura do ano ronda os 17 graus.
O Correio da Manhã refere que este aumento foi favorecido por um sistema de altas pressões junto aos Países Baixos. Os dados disponíveis indicam ainda que a temperatura da água naquela região tem aumentado cerca de meio grau por década desde 1980, acompanhando uma evolução que também começa a ser visível na costa portuguesa.
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