Entre Tavira e o curso da ribeira da Asseca, no Algarve, há uma piscina natural que continua a despertar curiosidade dentro e fora de Portugal. O Pego do Inferno, conhecido pelas águas de tom esmeralda e por uma pequena cascata rodeada de vegetação, foi agora destacado pela edição espanhola Viajes National Geographic como um dos recantos naturais mais surpreendentes do sul do país.
A publicação espanhola sublinha não só a beleza do local, mas também a lenda associada ao seu nome. Conta-se que, em tempos, uma carruagem terá caído no ponto onde se encontra a cascata, levando consigo passageiros e animais para as profundezas da água. Apesar das buscas, nunca teriam sido encontrados corpos, o que alimentou a crença popular de que aquele lugar conduziria ao “inferno”. Daí o nome Pego do Inferno.
Um recanto natural perto de Tavira
O Pego do Inferno fica a poucos minutos de Tavira e a pouco mais de meia hora de carro de Ayamonte, em Espanha. A proximidade à fronteira ajuda a explicar o interesse de muitos visitantes espanhóis, que procuram neste recanto uma alternativa mais tranquila às praias mais concorridas do Algarve durante os meses de verão.
Segundo a Viajes National Geographic, o acesso faz-se a partir da zona de estacionamento do Pego do Inferno, seguindo depois a pé por um percurso curto, com pouco mais de 500 metros, até à zona da lagoa e da cascata. O local tornou-se conhecido pela envolvência natural e pelo ambiente mais recolhido, embora já não tenha as condições de apoio que chegou a oferecer no passado.
Em 2000, o espaço foi preparado para receber banhistas, com a instalação de corrimões, papeleiras e até uma pequena cafetaria. No entanto, depois do incêndio que atingiu a zona em 2012, o Pego do Inferno foi encerrado como espaço público e não voltou a reabrir nas mesmas condições. Ainda assim, todos os verões há moradores e visitantes que continuam a aproximar-se da zona, atraídos pela paisagem e pelas águas límpidas.
Águas esmeralda são um dos grandes atrativos
Para além da cascata, um dos elementos que mais chama a atenção é a cor da água. A Viajes National Geographic destaca o tom esmeralda intenso da lagoa, associado à presença de carbonato de cálcio nas rochas. Este composto, ao acumular-se na água, contribui para o brilho e para a tonalidade característica que tornou o Pego do Inferno tão reconhecível.
A cascata tem cerca de três metros e é um dos três saltos de água da ribeira da Asseca. A água corre até à lagoa, formando uma piscina natural que, em dias de maior calor, ganha ainda mais procura por parte de quem conhece o local.
No ponto mais elevado encontra-se também o Miradouro do Pego, de onde é possível observar a lagoa, a cascata e a vegetação envolvente. A vista ajuda a perceber porque é que este espaço continua a ser visto como um dos lugares mais singulares do interior algarvio.
Apesar da beleza natural, o Pego do Inferno deve ser visitado com prudência. O espaço não dispõe atualmente das mesmas infraestruturas de apoio de outros tempos, pelo que quem passa pela zona deve respeitar a envolvente, evitar deixar lixo e ter atenção às condições do percurso. A atração do lugar está precisamente no seu ambiente natural, na lenda que o acompanha e na cor invulgar das suas águas.
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