A nomeação de Jorge Jesus para selecionador nacional poderá trazer mudanças na agenda do treinador, mas dificilmente alterará um dos seus hábitos mais antigos fora dos relvados. Há mais de 30 anos que mantém uma relação próxima com um restaurante de Lisboa, onde é cliente habitual e onde existe um prato que continua a ocupar um lugar cativo nas suas escolhas.
Segundo o Expresso, essa ligação consolidou-se durante a passagem de Jorge Jesus pelo Sporting de Braga, na época 2008/2009, através de um amigo comum. No ano seguinte, já ao serviço do Benfica, a relação tornou-se ainda mais próxima e transformou-se numa amizade que se mantém até hoje.
Cliente de longa data
Pedro Cardoso, proprietário do Solar dos Presuntos, recorda que o treinador passou a ser presença frequente na casa, não apenas pelas refeições, mas também pelos momentos de convívio que ali se criaram.
“Foi assim que começámos a criar uma relação fantástica”, conta o responsável, lembrando as tardes passadas à mesa depois do almoço. Nessas ocasiões, as partidas de sueca eram uma tradição, com Jorge Jesus e o fundador Evaristo Cardoso a enfrentarem Pedro Cardoso e outro elemento da equipa.
Prato que raramente muda
À mesa, as preferências do selecionador nacional são conhecidas pelos funcionários. Há um detalhe que nunca falta no início da refeição: pão, mas sem côdea.
Depois, a escolha recai quase sempre sobre a cabeça de garoupa cozida. “A cabeça tem de estar bem temperada. É o que mais pede aqui”, explica Pedro Cardoso. Quando esse prato não está disponível, opta por peixe, como imperador ou salmonetes. Ainda assim, admite: “Se pudesse, comia cabeça de garoupa todos os dias.”
Refeições sem pressa
Segundo a mesma fonte, Jorge Jesus costuma juntar o almoço ao jantar, permanecendo várias horas no restaurante sempre que a agenda o permite.
Durante esse tempo, é habitual interromper a refeição para falar com clientes ou aceitar fotografias. “Se alguém lhe pede uma fotografia, levanta-se, conversa e dá atenção às pessoas. É muito afável. Quem o conhece acaba por gostar dele”, afirma Pedro Cardoso.
Vinho, sobremesa e novas responsabilidades
Os hábitos mantêm-se também no final da refeição. O treinador acompanha normalmente o peixe com um copo de Quinta do Cidrô Chardonnay e termina com uma laranja e um pudim flan. O proprietário acredita, contudo, que as novas funções na Seleção Nacional poderão reduzir a frequência das visitas. Ainda assim, refere que o restaurante dispõe de salas privadas caso Jorge Jesus pretenda maior discrição durante as deslocações a Lisboa.
Pedro Cardoso recebeu com satisfação a escolha do amigo para liderar a equipa das quinas e acredita que o impacto será sentido rapidamente. “O Jorge deveria ter chegado mais cedo”, afirma. Na sua opinião, o treinador privilegia “a disponibilidade, a condição física e o empenho dos jogadores”, acrescentando que “vencer está no ADN dele”.
Clássico da restauração lisboeta
O Solar dos Presuntos abriu portas em 1974 e continua a ser uma referência da gastronomia portuguesa na capital. Conforme o Expresso, a casa preserva a tradição da cozinha minhota, atualmente sob a liderança de Pedro Cardoso e da filha Carolina Cardoso, mantendo uma ementa que inclui especialidades como o arroz de lavagante, os filetes de peixe-galo com arroz de tomate e o cabrito à moda de Monção.
Ao longo das últimas décadas, o restaurante tornou-se ponto de encontro de figuras públicas, empresários, políticos e personalidades do desporto. Entre esses clientes está Jorge Jesus, que, independentemente do clube ou da seleção que representa, continua a regressar ao mesmo local e ao mesmo prato que marcou a sua rotina muito antes de assumir o comando da equipa nacional.
















