A Polícia de Segurança Pública (PSP) tornou-se o primeiro “Guardião” de uma nova aplicação portuguesa que promete detetar e bloquear burlas antes mesmo de chegarem ao utilizador. A parceria foi formalizada esta semana e marca um reforço na prevenção deste tipo de crime.
A colaboração envolve o Núcleo de Cibercriminalidade da PSP e a aplicação “Guardião”, uma solução tecnológica pensada para travar tentativas de burla por chamada ou mensagem. De acordo com o site Pplware, o objetivo passa por atuar antes do contacto, reduzindo o número de vítimas.
Uma app que tenta travar a burla antes de acontecer
A aplicação “Guardião” recorre a um agente de inteligência artificial que analisa chamadas e mensagens em tempo real. Sempre que identifica padrões associados a burlas, o sistema bloqueia automaticamente o contacto.
Segundo a mesma fonte, o processo pode demorar apenas dois segundos, sendo suficiente para classificar uma comunicação como fraudulenta. Em alguns casos, o sistema precisa de analisar brevemente o conteúdo da chamada para confirmar a suspeita. O funcionamento foi desenhado para ser praticamente invisível para o utilizador. Explica o site que, após a instalação, não é necessário qualquer tipo de intervenção, com o sistema a operar em segundo plano.
Além disso, a aplicação elimina as mensagens suspeitas antes de serem lidas e impede que chamadas fraudulentas cheguem a ser atendidas. A lógica passa por antecipar o risco, em vez de depender da reação do utilizador.
Projeto nasceu com foco nos mais vulneráveis
A criadora da aplicação, Rita Barbosa, desenvolveu o projeto com especial atenção à população mais idosa. A inspiração surgiu no contexto familiar, com o objetivo de criar uma solução que não dependesse da literacia digital dos utilizadores.
De acordo com o Pplware, a jovem engenheira informática, formada na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e atualmente a frequentar um mestrado em Inteligência Artificial na Universidade Técnica de Hamburgo, quis simplificar ao máximo a utilização.
A ideia passa por criar um sistema que “desconfia” pelo utilizador, eliminando a necessidade de avaliar cada contacto. Segundo a mesma publicação, este modelo procura responder a um problema crescente, com milhares de tentativas de burla a ocorrer diariamente. A proteção da privacidade foi também considerada no desenvolvimento da aplicação, garantindo que o tratamento de dados é feito de forma segura.
PSP junta-se ao projeto para reforçar prevenção
A PSP formalizou a parceria com a aplicação através de um protocolo de colaboração assinado esta terça-feira. A iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla de combate à criminalidade digital. Segundo a mesma fonte, a polícia destaca a importância de prevenir este tipo de crimes, sublinhando que a atuação não deve limitar-se à investigação após a ocorrência. A partilha de conhecimento sobre padrões e métodos de burla é vista como uma mais-valia.
O diretor nacional da PSP, Luís Carrilho, afirmou que o objetivo passa por reduzir o número de vítimas. Explica o site que a instituição acredita que a aplicação pode ter um impacto relevante, sobretudo junto das populações mais expostas. A colaboração permitirá também melhorar a capacidade da aplicação para identificar novas formas de fraude, beneficiando do contacto direto com a realidade no terreno.
Ainda em testes, mas com procura significativa
Apesar de ainda se encontrar numa fase inicial de testes, a aplicação já gerou interesse significativo. Segundo o Pplware, existem mais de seis mil inscrições numa lista de espera para acesso à plataforma. O plano passa por evoluir o sistema e torná-lo plenamente operacional, permitindo a identificação de padrões de burla em tempo real. A ambição é criar uma rede de proteção automática, capaz de atuar sem necessidade de intervenção humana.
Num contexto em que as burlas digitais continuam a aumentar, soluções deste tipo procuram responder a um problema cada vez mais complexo. A combinação entre tecnologia e conhecimento policial poderá, segundo os responsáveis, fazer a diferença na prevenção.
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