A circulação na Autoestrada 1 está cortada no sublanço entre Coimbra Norte e Coimbra Sul depois de parte da infraestrutura ter cedido na sequência do rebentamento de um dique do rio Mondego. O Governo admite que a reposição da normalidade vai demorar semanas e, para já, automobilistas e transportadores são obrigados a procurar caminhos alternativos numa das principais ligações rodoviárias do país.
De acordo com o site especializado em economia, ECO, que cita informação da concessionária e declarações oficiais, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, afirmou que serão necessárias “várias semanas” para que o troço volte a estar ao serviço. A Brisa, responsável pela exploração da via, reconhece que não é possível, nesta fase, apontar um prazo concreto para a conclusão das obras de reparação.
Desvio obrigatório entre Coimbra Norte e Coimbra Sul
O abatimento ocorreu ao quilómetro 191, no sentido Norte Sul, junto ao nó de Coimbra Sul. A Brisa Concessão Rodoviária confirmou que parte do pavimento da plataforma cedeu após a rutura do dique que canaliza o Mondego. O corte da circulação tinha sido feito de forma preventiva cerca de três horas antes do colapso, entre os quilómetros 198 e 189, não havendo registo de vítimas associadas ao incidente.
A concessionária explica que o problema resultou do rebentamento do dique e da subsequente escavação do aterro junto ao encontro norte do viaduto C do Mondego, provocada por um caudal excecional superior a 2.100 metros cúbicos de água por segundo.
Desde o início da instabilidade, a 2 de fevereiro, têm sido realizadas vistorias permanentes no local. Estão no terreno mais de 30 operacionais, em articulação com as autoridades de proteção civil e entidades nacionais e locais, segundo a mesma fonte.
Perante a interrupção, a Brisa recomenda a utilização do corredor A8, A17 e A25 como principal alternativa à A1 naquele ponto do país. Em alternativa, os condutores podem optar pelo IC2. Qualquer das soluções implica desvios significativos e maior duração das viagens, sobretudo para o tráfego pesado que assegura o transporte de mercadorias entre o Norte e a região de Lisboa.
Intervenção depende da descida das águas
Durante uma visita ao local, Miguel Pinto Luz destacou a força do caudal que atingiu a infraestrutura, classificando a situação como anormal face à violência das águas. O governante indicou que estão a ser utilizados camiões com enrocamento para reforçar a zona afetada, sublinhando que essa é, para já, a única intervenção possível enquanto o nível do rio não baixar.
O ministro admitiu ainda que a fissura no sentido Norte Sul pode alastrar ao outro sentido da via. Uma intervenção estrutural de fundo só poderá avançar quando estiverem reunidas condições de segurança. Até lá, mantém-se o corte total da autoestrada naquele sublanço.
O colapso da A1 surge num contexto de forte instabilidade meteorológica. Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta. A última vítima, um homem de 72 anos que caiu quando tentava reparar o telhado da casa de uma familiar em Pombal, morreu nos Hospitais da Universidade de Coimbra.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo concentram os maiores danos, com habitações destruídas, empresas afetadas, estradas cortadas e falhas nos serviços essenciais. O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 em 68 concelhos e anunciou medidas de apoio que podem atingir 2,5 mil milhões de euros.
Segundo o ECO, a prioridade imediata passa por estabilizar a zona do viaduto e garantir condições para uma futura reparação estrutural. Até que isso aconteça, a principal artéria rodoviária do país permanecerá interrompida num dos seus pontos mais sensíveis.
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