Em Portugal existem várias aldeias ‘perdidas’ com poucos habitantes e que os turistas se esquecem muitas vezes de visitar. Uma destas aldeias portuguesas encontra-se precisamente a 800 metros de altitude e tem apenas um habitante. No entanto, “aqui a simpatia é tão contagiante como serena é a paisagem”, segundo se lê numa placa à entrada da aldeia.
Aigra Nova, uma das aldeias de xisto do concelho de Góis, mantém viva a memória das tradições serranas num cenário marcado pela tranquilidade e pelo património natural. Esta pequena povoação integra a rede de Aldeias do Xisto e é atravessada por três ruelas estreitas, onde predominam as casas construídas com o material que dá nome à rede.
Viagem ao passado rural
A configuração da aldeia transporta os visitantes para outras épocas. Cada casa e cada rua oferecem um vislumbre da vida quotidiana de tempos passados, permitindo imaginar como seria o quotidiano num espaço rural, isolado e de comunhão comunitária.
Tal como sublinha o podcast da Antena 1 “Vou ali e já venho”, hoje, apenas uma pessoa reside de forma permanente em Aigra Nova. Apesar da desertificação populacional, a aldeia mantém-se ativa em diversas iniciativas de promoção turística e de preservação cultural, inserindo-se num esforço mais amplo de valorização das Aldeias do Xisto.
Mensagem em placa informativa
À chegada, uma placa dá as boas-vindas: “aqui a simpatia é tão contagiante como serena é a paisagem.” Esta frase espelha o espírito de acolhimento do local e reforça o objetivo de manter a aldeia como ponto de interesse turístico e cultural.
Um dos principais motores desta preservação é a associação Lousitânea – Liga de Amigos da Serra da Lousã. Criada em 2001 e com sede em Aigra Nova, esta entidade sem fins lucrativos tem desenvolvido projetos centrados na valorização do património local.
Ecomuseu Tradições do Xisto
O projeto mais relevante da associação é o Ecomuseu Tradições do Xisto, constituído por vários núcleos temáticos. Este museu dá a conhecer aos visitantes o modo de vida tradicional das populações serranas, os instrumentos de trabalho, os usos dos recursos naturais e a estrutura social das aldeias.
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Refere o mesmo podcast que os primeiros passos do ecomuseu contaram com a participação ativa dos últimos habitantes da aldeia. O envolvimento dessas pessoas foi essencial para garantir a fidelidade das representações e preservar os saberes transmitidos oralmente.
Histórias, burros mirandeses e experiências únicas
Vários destes habitantes tornaram-se verdadeiros contadores de histórias, partilhando com os visitantes memórias de um tempo em que a vida rural ditava o ritmo da comunidade. Um dos núcleos mais procurados é um curral tradicional, onde vivem dois burros mirandeses que se aproximam de quem chega à procura de ‘carinho’ e, se possível, de uma cenoura ou alface.
Também merece destaque a maternidade de árvores, um viveiro de espécies autóctones da Serra da Lousã. Para além do seu papel educativo, este espaço contribui para a preservação da biodiversidade local.
Produtos locais e economia da região
Outro ponto de interesse é a loja do Lousitânea, junto ao Ecomuseu, onde os visitantes podem adquirir produtos locais e apoiar a economia da região. Aigra Nova é uma das maiores aldeias de xisto da área, embora mantenha uma escala reduzida e acolhedora.
A aldeia localiza-se numa encosta. No topo encontra-se a Quintã, o largo central onde se tomavam decisões comunitárias. Sem igrejas nem tabernas, era neste espaço que os habitantes discutiam a gestão dos rebanhos, o uso de terrenos comuns e outros assuntos do dia-a-dia.
Natureza em estado puro
No fundo do vale corre a ribeira de Mouro, habitat natural de veados e javalis. As casas são, na maioria, de dois pisos, sendo que o rés-do-chão era reservado aos animais e o andar superior utilizado para guardar alimentos ou outros bens.
Aigra Nova integra a Rede Natura 2000 e está classificada como Sítio de Importância Comunitária da Serra da Lousã. Rodeada por floresta, onde predominam os pinheiros, a aldeia atrai visitantes estrangeiros interessados na natureza e nas comunidades agro-pastoris da região. O acesso mais recomendado faz-se pela N342, entre Góis e Lousã, através de um desvio bem sinalizado para as Aldeias do Xisto.
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