A eliminação de Portugal nos oitavos de final do Mundial 2026, diante de Espanha, continua a gerar reações dentro e fora do país. Cristiano Ronaldo, que confirmou tratar-se do seu último Mundial, tem sido um dos principais alvos de análise, com antigos jogadores, jornalistas e comentadores a questionarem o rendimento do capitão português e o papel que teve na campanha da seleção nacional.
Roberto Martínez também tem sido apontado como responsável pela prestação portuguesa, sobretudo pela forma como preparou o encontro frente à seleção espanhola. Ainda assim, muitas das críticas têm incidido sobre Cristiano Ronaldo, que se despediu dos Mundiais após seis participações na competição.
Participação em Mundiais volta a ser analisada
O jornalista brasileiro Marcelo Bechler, que tinha protagonizado um momento de tensão com Cristiano Ronaldo numa conferência de imprensa, classificou como “dececionante” o percurso do avançado português em Campeonatos do Mundo. Apesar de reconhecer que Ronaldo é o melhor marcador da história da seleção portuguesa, considerou que os números ficam aquém do estatuto do jogador.
“É uma trajetória dececionante em Mundiais. Por mais que seja o maior marcador da história da seleção de Portugal, apenas apontou 11 golos em seis torneios. São números bons para quase qualquer um, mas estamos a falar de Cristiano Ronaldo, um dos melhores da sua geração”, afirmou Marcelo Bechler.
O jornalista brasileiro destacou ainda o rendimento do capitão português nos jogos a eliminar. “Um jogador que em seis edições de Mundiais só faça um golo em ‘mata-mata’ é dececionante. No jogo contra Espanha teve duas boas finalizações, mas a sua participação foi tímida”, acrescentou.
Na análise ao encontro com Espanha, Bechler considerou que Portugal poderia ter tirado melhor partido de Cristiano Ronaldo se o tivesse utilizado apenas na fase final do jogo. Para o jornalista, o avançado já não consegue corresponder fisicamente ao tipo de movimentos que marcaram a sua carreira.
“Ele continua a tentar fazer movimentos, arrancadas e antecipações, mas o corpo já não corresponde como no passado”, apontou. Marcelo Bechler concluiu ainda que “nem sempre se ganha tudo e nem sempre se é o melhor em tudo. Cristiano Ronaldo não é o melhor em tudo, doa a quem doer”.
Estratégia de Roberto Martínez também foi questionada
As críticas não se ficaram pelo jornalista brasileiro. Kevin-Prince Boateng, antigo jogador, questionou na SBS a estratégia de Roberto Martínez, considerando que Portugal foi demasiado conservador para uma seleção com tantas soluções ofensivas.
“Temos de falar de Roberto Martínez e a forma como ele preparou este jogo. É preciso falar com estes treinadores, que têm tantos jogadores ofensivos, e jogam tão defensivamente num jogo em que é 50/50”, afirmou Boateng.
Na mesma emissão, Tommy Oar, antigo internacional australiano, também apontou para a frustração que o modelo de jogo português terá provocado. O ex-jogador sublinhou que, perante a qualidade ofensiva disponível, é difícil aceitar que alguns jogadores tenham passado grande parte do encontro com pouca influência no jogo.
“Quando se olha para o talento no ataque, e alguém é forçado a ‘ficar de fora’ durante a maior parte do tempo de jogo, é frustrante. Martínez está sob muita pressão agora”, afirmou Tommy Oar.
Troy Deeney foi um dos mais duros nas palavras dirigidas a Cristiano Ronaldo. Em declarações à CBS, o antigo avançado inglês colocou em causa o impacto atual do capitão português e considerou que a equipa procurou referências ofensivas que nem sempre encontrou.
“A aura e a lenda que Cristiano Ronaldo é já não existe. Eu só vi um jogador que, infelizmente, o jogo passou por ele. Eu também vi uma equipa a movimentar-se para boas posições e perguntar onde é que ele está”, comentou Troy Deeney.
Comparação com o Euro 2016 gerou novas críticas
Também na talkSport, Jeff Stelling e Gabby Agbonlahor comentaram as declarações de Cristiano Ronaldo sobre o Europeu de 2016. O capitão português tinha afirmado que essa conquista valia para si tanto como um Mundial, uma comparação que Agbonlahor considerou desajustada.
O antigo jogador inglês apontou essa declaração como um dos problemas associados à forma como Ronaldo comunica em determinados momentos. Segundo Agbonlahor, esse tipo de afirmação ajuda a explicar por que razão muitos adeptos mantêm preferência por Lionel Messi.
“É por isso que as pessoas têm um favoritismo por Lionel Messi porque não o vão ouvir dizer isso”, afirmou Gabby Agbonlahor.
A eliminação frente a Espanha encerrou a participação de Portugal no Mundial 2026 e abriu nova discussão sobre o futuro da seleção. Cristiano Ronaldo deixou a continuidade em aberto, mas assumiu que não voltará a disputar um Campeonato do Mundo. Aos olhos de vários antigos jogadores e comentadores, o fim deste ciclo volta a levantar a questão do peso que o capitão português deve ter na equipa nacional daqui para a frente.
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