Um parasita microscópico está a provocar um número recorde de infeções nos Estados Unidos, com os casos a praticamente duplicarem em apenas quatro dias. A doença é transmitida sobretudo através de frutas, legumes e água contaminados, podendo causar diarreia intensa durante várias semanas.
A ciclosporíase é uma doença intestinal causada pelo parasita Cyclospora cayetanensis. A infeção acontece quando uma pessoa ingere alimentos ou água contaminados com oocistos, uma forma resistente semelhante a ovos microscópicos.
De acordo com a Zap, os produtos frescos que não foram corretamente lavados ou cozinhados são considerados os principais veículos de transmissão. Ao contrário de outras doenças gastrointestinais, o parasita não costuma passar diretamente de uma pessoa para outra.
Casos praticamente duplicaram em quatro dias
Os Estados Unidos registam habitualmente um aumento das infeções durante o verão, uma vez que o parasita se desenvolve e dissemina com maior facilidade em ambientes quentes.
Contudo, os números de 2026 estão muito acima dos valores habituais. Em apenas quatro dias, o total de casos confirmados e suspeitos aproximou-se dos sete mil, quando a média anual rondava os 2.800 casos confirmados.
As infeções foram identificadas em 34 estados norte-americanos, com maior incidência no Michigan. Pelo menos 141 pessoas necessitaram de internamento hospitalar, embora as autoridades admitam que muitos casos possam nunca chegar a ser diagnosticados.
Alface e saladas estão sob suspeita
Ainda não foi encontrada uma única origem que explique todos os casos registados no país. No Michigan, porém, as autoridades investigam uma possível ligação a alface e a folhas utilizadas em saladas.
Em surtos anteriores, a ciclosporíase esteve associada ao consumo de alface, misturas de salada, framboesas, manjericão, coentros, ervilhas e misturas de fruta.
As saladas embaladas merecem especial atenção, uma vez que podem incluir produtos provenientes de diferentes explorações agrícolas, dificultando a identificação da origem de uma eventual contaminação.
Estes são os sintomas mais comuns
O sintoma mais frequente é uma diarreia aquosa e intensa, descrita por alguns doentes como explosiva. Podem ainda surgir perda de apetite, emagrecimento, cólicas abdominais, náuseas e cansaço.
Febre, dores musculares e vómitos também podem ocorrer. Os sintomas podem desaparecer ao fim de poucos dias, mas, em alguns casos, prolongam-se durante várias semanas ou reaparecem depois de uma melhoria inicial.
Apesar de não ser geralmente considerada uma doença grave, uma diarreia prolongada pode provocar desidratação. O risco é maior entre crianças, idosos, grávidas e pessoas com o sistema imunitário fragilizado.
O que deve evitar comer durante o surto
As recomendações passam por evitar saladas embaladas e não consumir frutas ou legumes que estejam esmagados, cortados, danificados ou com sinais de deterioração.
Todos os produtos frescos devem ser lavados cuidadosamente antes do consumo, mesmo quando a embalagem indica que já foram previamente lavados. Sempre que possível, os alimentos devem também ser descascados ou cozinhados.
Os produtos considerados de maior risco devem ser sujeitos a temperaturas de pelo menos 70 graus Celsius. No caso das pessoas mais vulneráveis, poderá ser prudente evitar temporariamente o consumo de alimentos frescos crus enquanto os surtos estiverem ativos.
A lavagem reduz o risco de contaminação, mas pode não eliminar completamente o parasita. Por esse motivo, a confeção adequada continua a ser uma das formas mais eficazes de prevenção.
Leia também: Campanha apela à dádiva de sangue numa altura crítica no Algarve














