A circulação de uma comparação nas redes sociais, segundo a qual o nome de Donald Trump surge mais vezes nos chamados “Epstein files” do que Jesus é mencionado na Bíblia, voltou a colocar o antigo presidente dos Estados Unidos no centro do debate público. A afirmação, amplamente partilhada online, levanta questões sobre a origem dos números, o significado real dessas menções e os limites das comparações feitas a partir de grandes bases de dados documentais.
Esta polémica surge após a divulgação de milhões de páginas de documentos relacionados com o caso de Jeffrey Epstein, o financista condenado por crimes sexuais que morreu em 2019 numa prisão federal.
Os chamados “Epstein files” resultam de um processo de transparência conduzido pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que tornou públicos arquivos recolhidos ao longo de vários anos de investigação.
O que são os “Epstein files”
Os ficheiros agora divulgados incluem um vasto conjunto de materiais, como registos judiciais, listas de contactos, documentos administrativos, comunicações e recortes de imprensa. De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o acervo publicado ultrapassa os três milhões de páginas e resulta, em parte, de informação enviada ao FBI por cidadãos e entidades externas.
As autoridades norte-americanas sublinharam que o arquivo contém documentos de natureza muito diversa e que a presença de um nome não equivale a uma acusação formal nem a prova de envolvimento em atividades ilegais.
Menções a Donald Trump
A comparação que se tornou viral baseia-se numa análise atribuída a uma revisão do jornal americano The New York Times, segundo a qual o nome de Donald Trump aparece cerca de 38 mil vezes em mais de 5.300 documentos relacionados com Epstein. Estas referências incluem menções repetidas em diferentes contextos, como notícias arquivadas, listas, registos administrativos e outros materiais de carácter público.
É importante notar que muitas dessas menções não correspondem a acusações diretas nem a descrições de comportamentos ilegais. A própria fonte esclareceu que os ficheiros incluem informação não verificada e conteúdos duplicados, recolhidos para efeitos de investigação e arquivo.
Até ao momento, Donald Trump não foi acusado nem formalmente implicado em qualquer crime relacionado com o caso Epstein.
Problema das contagens automáticas
Especialistas em análise documental, de acordo com a fonte acima citada, explicam que, em bases de dados desta dimensão, uma simples pesquisa por palavra-chave pode gerar números elevados devido a repetições, referências indiretas ou menções contextuais. Um mesmo nome pode surgir dezenas de vezes no mesmo documento ou ser incluído em listas, anexos e recortes de imprensa.
Por essa razão, o número absoluto de menções não permite, por si só, retirar conclusões sobre o grau de envolvimento de uma pessoa nos factos investigados, de acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
E quantas vezes Jesus é mencionado na Bíblia
A outra parte da comparação envolve a Bíblia e foi publicada pelo portal de entretenimento americano UNILAD, mas também aqui os números variam consoante a tradução e o critério utilizado. Em traduções clássicas em inglês, como a King James Version, o nome “Jesus” surge pouco menos de mil vezes. Noutras versões, esse número pode ultrapassar ligeiramente as mil ocorrências.
Além disso, muitas referências a Jesus surgem sob outras designações, como “Cristo”, “Senhor” ou “Filho do Homem”, o que torna qualquer contagem dependente do método escolhido.
















