Ira Eliasoph tem 96 anos e só deixou a prática da oftalmologia em 2021, após sete décadas dedicadas à profissão de médico. O norte-americano garante que não se reformou por falta de capacidade, mas por decisão pessoal. “Quando me demiti, não foi por qualquer sinal de fraqueza, ainda era capaz de realizar cirurgias”, contou ao site Business Insider, fonte internacional de atualidade.
Ao longo da carreira, acompanhou pacientes ilustres como o ator Ray Milland, vencedor de um Óscar em 1946, e o empresário Gus Levy. Hoje, para além da profissão que deixou para trás, soma quatro filhos, cinco netos e dois bisnetos.
Entre os segredos que o próprio aponta para uma vida longa está a dieta que segue desde criança. O pai, também médico, introduziu hábitos alimentares de baixo teor de gordura quando Eliasoph tinha apenas seis anos. “Tive cuidado com o que como todos estes anos”, afirmou ao mesmo site.
Uma dieta regrada, mas com espaço para proteína
A rotina alimentar do médico reformado baseia-se num consumo reduzido de gorduras e num reforço de proteínas. Costuma dividir as refeições em pequenas porções ao longo do dia, como forma de controlar a glicemia. Na ementa não faltam carne de vaca e peru, sendo que entre os pratos preferidos está um picadinho com feijão-verde e batata-doce.
O açúcar é outro elemento que evita. Ainda assim, não abdica por completo de sobremesas. Quando a vontade aperta, opta por quantidades mínimas, como duas colheres de chá de gelado ou de ‘woodford pudding’, uma sobremesa de amora. Segundo a GQ Globo, site de lifestyle e cultura brasileiro, este tipo de disciplina alimentar foi determinante para manter saúde e energia ao longo das décadas.
Suplementos para complementar
O cuidado com a alimentação é acompanhado por suplementação. Em entrevista, sublinhou a importância da vitamina C. Além disso, recorre também à vitamina B12 e ao ácido fólico, medidas que considera essenciais para manter energia e bem-estar.
Uma vida ativa depois da reforma
A longevidade de Eliasoph não se explica apenas pela dieta. A sua vida profissional, muito ativa, foi determinante, mas após a reforma não deixou de se ocupar. Hoje dedica-se ao desenho, à pintura e à escrita, estando atualmente a trabalhar numa biografia do pai, pioneiro na invenção da tenda de oxigénio usada durante a gripe espanhola.
Apesar de viver sozinho, recebe visitas frequentes da família e mantém encontros semanais com amigos num clube à beira-mar. Jogava ténis até há dois anos, altura em que foi submetido a uma cirurgia. Esta atividade regular e a socialização são, sublinha, fatores que também o ajudam a viver mais e melhor.
O olhar da ciência sobre quem chega aos 95
O médico integra um estudo do Albert Einstein College of Medicine, faculdade de medicina e investigação biomédica, em Nova Iorque, que acompanha centenas de pessoas com mais de 95 anos. O objetivo é perceber o que está por trás de uma velhice saudável.
De acordo com declarações de Sofiya Milman, investigadora norte-americana de medicina da longevidade, ao site Next Avenue, meio de comunicação digital especializado em longevidade, saúde, estilo de vida e envelhecimento ativo, a investigação parte de décadas de dados que mostram que quem atinge os 95 ou 100 anos tende a viver mais tempo com saúde, adiando doenças como cancro, diabetes ou Alzheimer por 20 a 30 anos em relação à média da população.
A investigadora acrescenta que a genética tem peso decisivo no envelhecimento. “Se vem de um berço saudável, tem mais hipóteses de ter um corpo disposto a cooperar por mais tempo”, explicou. No entanto, sublinha que os hábitos contam sempre.
Para a esmagadora maioria da população, que não traz exemplos de longevidade na família, a receita é conhecida: praticar exercício, seguir uma alimentação equilibrada, não fumar, evitar excessos no consumo de álcool, reduzir o stress e dormir o suficiente. Segundo a GQ Globo, é nesta conjugação entre herança genética e disciplina diária que está o segredo para viver mais e melhor.
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