A China pediu aos seus cidadãos que evitem viajar para determinado país do Médio Oriente e recomendou que aqueles que já residem no território abandonem-no o quanto antes, num alerta pouco habitual de Pequim que sugere uma escalada nas tensões internacionais. O país em causa é o Irão, que enfrenta ameaças de ataque por parte dos Estados Unidos, segundo a agência chinesa, Xinhua, citada pela Reuters.
De acordo com a mesma fonte, o governo de Pequim refere-se a um “aumento significativo dos riscos de segurança externa”, justificando o alerta pelo cenário de instabilidade na região.
O comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China e das embaixadas e consulados chineses no Irão destaca a necessidade de reforço das precauções e insta os cidadãos a deixarem o país com urgência. Segundo a mesma fonte, esta recomendação surge numa altura em que os laços entre Washington e Teerão se encontram sob forte pressão.
Preocupação crescente com a segurança
O alerta da China evidencia a preocupação com a segurança dos seus cidadãos no Irão. Pequim recomenda que os residentes reforcem precauções e deixem o país o quanto antes, uma medida pouco habitual que reflete a gravidade da situação segundo a Reuters. A agência destaca que o aviso surge no contexto de tensões militares e diplomáticas crescentes entre os dois países.
EUA e Irão em negociações intensas
Nos últimos dias, os Estados Unidos e o Irão têm conduzido várias rondas de negociações destinadas a evitar um confronto militar direto. O massivo destacamento de forças norte-americanas no Médio Oriente e no Golfo Pérsico aumentou a urgência das conversações, que representam a última oportunidade de acordo antes de qualquer ação militar.
De acordo com a Reuters, Donald Trump lançou, a 19 de fevereiro, um ultimato de 10 a 15 dias para decidir se seria possível chegar a um entendimento com Teerão ou se recorreriam à força. A terceira sessão de negociações realizou-se na quinta-feira, em Genebra, nas instalações da residência do embaixador de Omã.
A sessão durou várias horas e foi interrompida por uma pausa ao meio-dia. O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, afirmou ter sido a ronda mais intensa até ao momento e indicou que foram alcançados novos progressos no compromisso diplomático com os Estados Unidos, segundo a mesma agência.
Dossier nuclear e programa balístico
As discussões centram-se sobretudo no programa nuclear iraniano, que Washington pretende controlar para impedir o desenvolvimento de armas nucleares. Teerão nega tais intenções, mas insiste no direito ao uso civil da energia nuclear, previsto pelo Tratado de Não Proliferação do qual é signatário.
Outro ponto de discórdia é o programa balístico iraniano, que os Estados Unidos querem incluir na negociação, mas que o Irão exclui, mantendo as conversações apenas no âmbito nuclear.
Próximas rondas e equipas técnicas
O negociador iraniano adiantou ainda que uma nova ronda poderá ocorrer em breve, possivelmente dentro de uma semana. Entre-mentes, equipas técnicas irão reunir-se na segunda-feira em Viena, na Áustria, com o apoio de especialistas da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), segundo a Reuters.
Contexto e repercussões
O alerta da China reflete a preocupação crescente com a segurança dos seus cidadãos no Irão e surge num contexto de incerteza política e militar, apontando para a possibilidade de uma escalada do conflito na região. Segundo a Reutersp, esta recomendação de Pequim é considerada rara, reforçando o grau de alerta perante os desenvolvimentos recentes.
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