Uma infeção bacteriana transmitida por via fecal-oral está a afetar turistas em Cabo Verde, incluindo portugueses, e já levou as autoridades europeias a emitir recomendações específicas para quem viaja para o arquipélago. Os dados mais recentes apontam para centenas de casos associados a estadias na ilha do Sal, colocando em alerta viajantes e entidades de saúde pública.
De acordo com o Correio da Manhã, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) identificou um possível foco numa cadeia hoteleira situada na zona de Santa Maria. No entanto, a origem concreta da contaminação continua por determinar, o que mantém a incerteza sobre a forma exata de transmissão nos casos registados.
Segundo a mesma fonte, apesar da suspeita concentrada num local específico, não foi possível estabelecer uma ligação definitiva entre todos os episódios, o que leva as autoridades a manterem um conjunto alargado de precauções para todos os visitantes.
Números que preocupam autoridades
Entre setembro de 2022 e as últimas semanas, foram confirmados 766 casos de shigelose em turistas de vários países, escreve o jornal. Entre os afetados estão viajantes do Reino Unido, Suécia, Alemanha, França e Países Baixos, mas também portugueses, num total de 12 casos registados.
Acrescenta a publicação que, além desta infeção bacteriana, foram ainda notificados mais de 300 episódios de outras doenças gastrointestinais, como salmonelose, campilobacteriose, giardíase ou amebíase, reforçando a dimensão do problema ao longo deste período.
O que é a shigelose
A shigelose é uma infeção intestinal provocada por bactérias do género Shigella, explica o jornal. Trata-se de uma doença altamente contagiosa, cuja transmissão ocorre sobretudo por via fecal-oral, frequentemente associada a falhas de higiene ou contaminação de alimentos e água.
Refere a mesma fonte que os sintomas costumam surgir entre um a quatro dias após a exposição à bactéria, podendo incluir diarreia, febre e dores abdominais, sinais que justificam atenção imediata por parte dos viajantes.
Recomendações para quem viaja
Perante este cenário, o ECDC recomenda um conjunto de medidas preventivas para reduzir o risco de infeção. Segundo a mesma fonte, é essencial lavar as mãos com frequência, sobretudo antes das refeições ou após utilizar instalações sanitárias.
Também se deve privilegiar o consumo de alimentos bem cozinhados e evitar produtos crus ou prontos a comer, incluindo saladas, frutas não lavadas e bebidas com gelo, que podem ser potenciais veículos de contaminação.
Quando procurar ajuda médica
As autoridades de saúde aconselham ainda a ingestão exclusiva de água engarrafada durante a estadia. Conforme a mesma fonte, esta precaução é considerada fundamental em contextos onde a qualidade da água pode não ser garantida.
Caso surjam sintomas compatíveis com infeção gastrointestinal, como diarreia persistente, febre ou dores abdominais intensas, os viajantes devem procurar assistência médica de imediato, sublinha o Correio da Manhã, reforçando a importância de uma resposta rápida para evitar complicações.
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