A reestruturação da rede de lojas da Inditex, dona da Zara, marca uma nova fase no retalho de moda, centrada na digitalização, na sustentabilidade e na redefinição do papel das lojas físicas num mercado cada vez mais competitivo.
No primeiro trimestre do exercício de 2025, correspondente ao período entre 1 de fevereiro e 30 de abril, o grupo espanhol registou um encerramento líquido de 136 lojas a nível mundial, terminando o período com 5.562 espaços comerciais, segundo os resultados oficiais divulgados pela própria empresa no relatório trimestral, citados pelo jornal espanhol El Cronista.
Este ajustamento resulta da diferença entre aberturas e fechos e enquadra-se num plano de otimização que a empresa tem vindo a implementar nos últimos anos, com o objetivo de concentrar operações em lojas maiores, tecnologicamente mais avançadas e com maior integração com o canal online, conforme detalhado no mesmo documento oficial.
O plano de transformação: menos dispersão, mais eficiência
De acordo com informação divulgada em meios económicos especializados, a Zara foi a marca com maior impacto nesta reestruturação, com 52 lojas a menos em termos líquidos face ao período homólogo, inserindo-se num processo mais amplo de racionalização da rede comercial do grupo.
No mesmo balanço por insígnias, a Oysho registou menos 34 lojas, a Zara Home menos 21, a Massimo Dutti menos 20, a Stradivarius menos 10 e a Bershka menos 1, enquanto a Pull&Bear foi a única cadeia a crescer, com duas aberturas líquidas.
A empresa tem sublinhado publicamente que esta estratégia visa consolidar uma rede comercial mais eficiente e sustentável, reforçando espaços com maior dimensão e melhor capacidade logística, ao mesmo tempo que reduz localizações consideradas menos ajustadas ao modelo atual, refere ainda a fonte acima citada.
Lojas de nova geração e integração digital
Paralelamente aos fechos, a Inditex mantém um plano de expansão seletiva e modernização, prevendo um aumento da área bruta comercial para 2026, sinal de que o objetivo não é abandonar o retalho físico, mas redefinir o seu formato.
Entre as apostas destacadas estão lojas de nova geração, com maior dimensão, forte componente tecnológica e serviços integrados com a aplicação móvel, como a possibilidade de reservar provadores através da app e receber notificações quando estes estão disponíveis, funcionalidades apresentadas em comunicações oficiais sobre novos conceitos de loja.
Neste modelo, a loja física deixa de ser apenas um ponto de venda e passa a funcionar como extensão do canal online, permitindo recolhas rápidas, devoluções simplificadas e maior eficiência na gestão de stock, num contexto em que a concorrência de plataformas digitais elevou o nível de exigência do consumidor, de acordo com a mesma fonte.
Resultados financeiros e remuneração dos acionistas
No primeiro trimestre de 2025, a Inditex alcançou vendas de 8.274 milhões de euros e um resultado líquido de 1.305 milhões de euros, segundo os números oficiais apresentados pela empresa, que indicam a continuidade de um desempenho sólido apesar do ajustamento da rede.
No conjunto do exercício fiscal de 2024, encerrado a 31 de janeiro de 2025, o grupo reportou um ano recorde em vendas e resultados, reforçando a ideia de que o crescimento pode ocorrer mesmo com menos lojas, desde que estas sejam maiores e mais eficientes.
Em linha com esses resultados, o conselho de administração propôs um dividendo total de 1,68 euros por ação relativo ao exercício de 2024, a pagar em duas tranches de 0,84 euros, com datas indicadas para 2 de maio e 3 de novembro de 2025, de acordo com o El Cronista.
Presença da Inditex em Portugal
Portugal ocupa um lugar relevante na história do grupo, tendo sido apontado como o primeiro mercado internacional da Zara, com a abertura de uma loja na Rua de Santa Catarina, no Porto, nos anos 80, segundo recorda o jornal de atualidade ECO.
De acordo com o relatório anual do exercício de 2024, a Inditex terminou 31 de janeiro de 2025 com 270 lojas em Portugal, distribuídas por várias marcas do grupo, incluindo 67 Zara, 44 Pull&Bear, 33 Massimo Dutti, 40 Bershka, 41 Stradivarius, 21 Oysho e 24 Zara Home.
Contudo, nos relatórios trimestrais oficiais não é apresentada uma lista discriminada por país relativamente aos 136 fechos líquidos registados no primeiro trimestre de 2025, o que impede confirmar formalmente que parte desse número corresponda a lojas em Portugal, sendo possível apenas afirmar, com base em informação pública disponibilizada pela Inditex, que o mercado português tem igualmente passado por um processo de ajustamento da rede.
















