A diferença no custo de vida entre Espanha e a Tailândia está a levar alguns reformados espanhóis a procurar uma nova vida fora do país, reacendendo o debate sobre o poder de compra das pensões na Península Ibérica e levantando inevitáveis comparações com a realidade portuguesa.
Nos últimos anos, tem-se tornado mais frequente ver pensionistas espanhóis a mudarem-se para países onde a habitação, a alimentação e os serviços básicos são significativamente mais baratos. A promessa de uma vida mais confortável com a mesma pensão é o principal argumento, de acordo com o jornal digital espanhol Noticias Trabajo.
Esta tendência não é exclusiva de Espanha. Também em Portugal, onde muitos reformados enfrentam rendas elevadas e aumento generalizado dos preços, cresce o interesse por destinos alternativos com menor custo de vida, dentro e fora da Europa.
Um caso concreto: mudar de país para conseguir poupar
O caso foi divulgado no programa “Espejo Público”, do canal espanhol Antena 3. Rafa, um reformado natural de Maiorca, explicou que decidiu mudar-se para a Tailândia depois de se reformar e enviuvar. Com uma pensão mensal de 1.136 euros, garante que em Espanha teria dificuldade em cobrir todas as despesas fixas. Na Tailândia, afirma conseguir viver com conforto e ainda poupar todos os meses.
A decisão surgiu após iniciar uma nova relação com uma cidadã tailandesa. Durante mais de um ano ponderou alternativas, incluindo mudar-se para o norte de Espanha, mas os preços acabaram por ser determinantes, de acordo com a mesma fonte.
Quanto custa viver com 1.136 euros por mês
Segundo os valores apresentados no programa, Rafa paga cerca de 100 euros mensais de renda. Em Espanha, a média considerada rondaria os 900 euros por mês. A alimentação para duas pessoas fica, segundo relata, em cerca de 4 euros por dia. Já o litro de gasolina custa aproximadamente 90 cêntimos.
As despesas de eletricidade e água somam 25 euros mensais, enquanto o serviço de internet ronda os 10 euros. Em Espanha, o valor médio estimado para internet seria próximo dos 30 euros. “Em Maiorca por menos de 1.000 euros não se aluga um apartamento”, afirmou o pensionista durante a entrevista, sublinhando o peso da habitação no orçamento mensal.
Debate sobre o poder de compra das pensões
De acordo com as contas apresentadas no programa, um reformado com um rendimento semelhante ao de Rafa gastaria em Espanha cerca de 1.026 euros por mês. “Ou seja, a pensão daria apenas para o essencial”, referiu um dos comentadores ao analisar a comparação.
A situação não é totalmente distante da realidade portuguesa. Em várias cidades de Portugal, sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, as rendas médias absorvem grande parte do rendimento de muitos pensionistas. Embora o valor das pensões varie entre os dois países, o aumento do custo da habitação tem sido um dos principais fatores de pressão sobre os orçamentos familiares, tanto em Espanha como em Portugal.
Uma tendência que pode crescer
A existência de comunidades de expatriados em destinos como a Tailândia, Marrocos ou até em regiões específicas de Portugal tem facilitado este tipo de mudança, oferecendo redes de apoio e informação. Para alguns reformados, a possibilidade de manter o mesmo rendimento, mas com maior margem financeira ao final do mês, torna-se decisiva.
De acordo com o Noticias Trabajo, o caso de Rafa ilustra uma realidade que começa a ganhar expressão: quando a pensão é limitada, o local onde se vive pode fazer toda a diferença no equilíbrio das contas.
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