Cada vez mais portugueses consideram a União Europeia um espaço de estabilidade num contexto internacional marcado pela incerteza geopolítica, revela o Eurobarómetro do Parlamento Europeu, publicado esta quarta-feira, 1 de julho.
Em Portugal, 94% dos inquiridos concordam que a União Europeia é um lugar de estabilidade num mundo conturbado, mais cinco pontos percentuais do que no outono de 2025. A nível europeu, este indicador atinge 75%, o valor mais elevado da última década, representando uma subida de oito pontos percentuais face ao estudo anterior.
Apesar desta perceção de estabilidade, a atual conjuntura mundial contribui para que 55% dos portugueses e 58% dos europeus se sintam pessimistas em relação ao futuro, valores que aumentaram sete e seis pontos percentuais, respetivamente. Ainda assim, 41% dos portugueses e 38% dos europeus dizem estar otimistas.
“Incerteza” e “esperança” são as emoções mais escolhidas pelos cidadãos para descrever o seu estado de espírito atual. Em Portugal, 49% dos inquiridos dizem sentir incerteza e 48% afirmam ter esperança, valores superiores à média da União Europeia, onde 44% referem incerteza e 43% esperança.
«Num momento de incerteza global, os europeus veem cada vez mais a União Europeia como um farol de estabilidade. Num mundo conturbado, essa confiança é o maior trunfo da Europa. E traz consigo uma expectativa clara para que continuemos a agir de forma decisiva, proporcionando segurança, prosperidade e oportunidades aos nossos cidadãos», afirmou a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola.
Quarenta anos depois da adesão de Portugal à União Europeia, nove em cada dez portugueses consideram que o país beneficiou com a entrada no projeto europeu. Portugal surge, assim, entre os países mais euroentusiastas, apenas atrás de Malta, Luxemburgo e Dinamarca.
A média europeia situa-se nos 74%, um máximo histórico registado pela primeira vez em janeiro e fevereiro de 2025.
Entre os principais benefícios de Portugal ser Estado-Membro da União Europeia, 43% dos portugueses apontam o facto de o país ter uma voz mais forte no mundo. Seguem-se a contribuição para o crescimento económico, referida por 40%, e as novas oportunidades de emprego, indicadas por 31%.
Na média europeia, os principais benefícios destacados são a defesa da paz e o reforço da segurança, com 40%, a melhoria da cooperação entre Estados-Membros, com 34%, e o crescimento económico, com 28%.
Competitividade, segurança e defesa entre prioridades
Para reforçar a posição da União Europeia no mundo, os portugueses defendem que a prioridade deve passar pela competitividade, economia e indústria, indicada por 43% dos inquiridos, seguida da segurança e defesa, referida por 38%.
Na média europeia, a segurança e defesa surge como principal prioridade, com 39%, seguida da independência energética, com 35%, mais seis pontos percentuais do que no outono de 2025.
Segundo o Eurobarómetro, 90% dos portugueses defendem que o papel da União Europeia perante crises mundiais e riscos de segurança deve ser reforçado no futuro, em linha com 68% dos europeus.
A larga maioria dos portugueses, 97%, gostaria que os Estados-Membros estivessem mais unidos no atual contexto internacional, enquanto 96% afirmam que a União Europeia deve promover o respeito pelo direito internacional. A média europeia também é elevada, com 90% dos inquiridos a partilharem estas posições.
Ao mesmo tempo, 92% dos portugueses e 73% dos europeus consideram que a União Europeia precisa de mais recursos para enfrentar os desafios mundiais.
No plano interno, a maioria dos portugueses, 74%, diz estar satisfeita com a sua qualidade de vida, embora este valor fique abaixo da média europeia, de 83%. Entre os inquiridos que afirmam ter dificuldades em pagar as contas na maior parte das vezes, a satisfação desce para 47% em Portugal e 40% na média europeia.
Os jovens portugueses entre os 15 e os 24 anos são os mais satisfeitos com a qualidade de vida, com 90%, seguidos dos inquiridos entre os 25 e os 39 anos, com 74%. Entre os portugueses com nível de escolaridade mais elevado, 85% dizem estar satisfeitos.
Para os portugueses, a qualidade de vida está sobretudo associada à saúde física e mental, referida por 61%, à qualidade e acessibilidade dos cuidados de saúde, apontada por 50%, e à situação financeira, indicada por 48%.
Questionados sobre o que poderia melhorar a qualidade de vida, 53% dos portugueses apontam a situação financeira e a capacidade de fazer face às despesas do dia a dia. Na média europeia, este valor é de 42%.
Cerca de quatro em cada dez portugueses, 39%, preveem que o seu nível de vida diminua nos próximos anos. Portugal é o segundo país da União Europeia onde esta perceção é mais elevada, apenas atrás de França, com 44%. Na média europeia, 29% partilham esta preocupação.
Inflação é a principal prioridade para os portugueses
A inflação, o aumento dos preços e o custo de vida são apontados por 65% dos portugueses como o tema mais urgente a ser tratado pelo Parlamento Europeu, valor acima da média europeia, que se situa nos 47%.
Em Portugal, seguem-se a saúde pública, com 62%, e a economia e criação de emprego, com 47%. Na média europeia, a economia e criação de emprego surge em segundo lugar, com 35%, à frente da defesa e segurança da União Europeia, com 34%.
A paz é o principal valor que deve ser defendido, de acordo com 58% dos portugueses e 51% dos europeus.
O estudo revela ainda que a imagem do Parlamento Europeu é positiva para 58% dos portugueses, contrastando com 38% dos europeus. Além disso, 69% dos portugueses consideram que esta instituição deveria desempenhar um papel mais importante.
A nível europeu, seis em cada dez inquiridos defendem também um papel mais relevante para o Parlamento Europeu e afirmam estar satisfeitos com o funcionamento da democracia na União Europeia, o que representa uma subida de cinco pontos percentuais desde novembro de 2025.
O Eurobarómetro da primavera de 2026 do Parlamento Europeu foi realizado pela agência Verian entre 9 de abril e 4 de maio de 2026 nos 27 Estados-Membros da União Europeia. No total, foram realizadas 26.421 entrevistas, com os resultados ponderados de acordo com a dimensão da população de cada país.
Pode consultar os resultados completos no sítio Web do Eurobarómetro.
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