A Suécia, conhecida por estar entre as sociedades mais avançadas do mundo em pagamentos digitais, aconselha agora os seus cidadãos a manterem reservas de dinheiro em casa. A recomendação, feita pelo banco central do país, surge num contexto de crescentes tensões geopolíticas e preocupações com a resiliência das infraestruturas financeiras digitais.
Reserva mínima recomendada
De acordo com o Riksbank, citado pelo site de notícias económicas, Executive Digest, cada agregado familiar deve guardar dinheiro suficiente para cobrir aproximadamente uma semana de despesas essenciais. A instituição sugere que cada adulto disponha de cerca de 1.000 coroas suecas em numerário, valor que corresponde a pouco mais de 90 euros.
Segundo a mesma fonte, este montante serve apenas como referência, podendo variar consoante a dimensão do agregado familiar ou as necessidades específicas de cada casa.
O banco central recomenda ainda que o dinheiro seja guardado em várias denominações, de modo a facilitar pagamentos mais pequenos e compras diárias. Esta orientação integra-se numa estratégia mais ampla para assegurar que os cidadãos consigam aceder a bens essenciais mesmo em situações de interrupção dos sistemas de pagamento eletrónico.
Entre os cenários previstos estão falhas temporárias das redes de pagamento, ataques cibernéticos ou crises geopolíticas que possam afetar o funcionamento do sistema financeiro.
Diversificação dos métodos de pagamento
Para além de manter dinheiro em casa, o Riksbank aconselha a diversificação dos métodos de pagamento. Entre as sugestões está a posse de pelo menos dois cartões de redes diferentes, como Visa e Mastercard, reduzindo o risco de falhas caso um sistema deixe de funcionar. O acesso a sistemas de pagamento móvel, como o Swish, muito popular na Suécia, é igualmente recomendado, já que funciona com infraestruturas diferentes das dos cartões bancários.
Os utilizadores de carteiras digitais, como Apple Pay ou Google Pay, devem manter sempre o cartão físico e o código PIN. Isto porque, mesmo sem ligação à internet, o chip do cartão permite realizar pagamentos. Segundo o Riksbank, “o acesso a diferentes métodos de pagamento melhora a capacidade das pessoas para realizar compras em caso de interrupções temporárias, crises e, no pior cenário, guerra.”
Um país cada vez mais digital, mas vulnerável
A Suécia é frequentemente destacada pelo avanço na transição para pagamentos digitais. O uso de dinheiro físico caiu de forma acentuada na última década, e atualmente apenas uma em cada dez compras é feita em numerário, segundo relatório do próprio Riksbank de 2025. A maioria das transações é realizada através de cartões ou aplicações móveis, o que torna os pagamentos mais rápidos e baratos, mas expõe o país a novas fragilidades.
Uma das principais vulnerabilidades identificadas prende-se com a dependência de redes internacionais, como Visa e Mastercard.
Embora o cenário de uma interrupção por motivos políticos seja considerado improvável, ele evidencia os riscos de um sistema de pagamentos totalmente dependente de infraestruturas externas.
Soberania financeira e moedas digitais
A discussão sobre soberania financeira estende-se a toda a Europa. O Banco Central Europeu está a desenvolver o euro digital, uma moeda pública que visa complementar o dinheiro físico e reduzir a dependência de sistemas de pagamento controlados por empresas estrangeiras, com lançamento previsto para 2029.
O próprio Riksbank tem estudado há vários anos a criação da e-krona, versão digital da moeda sueca. Segundo a instituição, a coroa digital permitiria alternar entre dinheiro emitido pelo banco central e soluções privadas, funcionando mesmo sem ligação à internet e garantindo alternativas em caso de interrupções graves.
De acordo com a Executive Digest, esta medida pretende equilibrar os benefícios da digitalização com a necessidade de assegurar o funcionamento da economia em qualquer circunstância.
















