O vírus da gripe das aves, em particular o H5N1, está a levantar novas preocupações entre a comunidade científica por demonstrar capacidade de contornar a febre, uma das principais defesas naturais do organismo humano. O risco de uma futura pandemia surge associado à possibilidade de este vírus vir a adaptar-se à transmissão entre pessoas, num cenário que continua a ser acompanhado de perto pelas autoridades de saúde.
A febre pode já não ser o escudo que se pensava
De acordo com a Executive Digest, site especializado em atualidade e negócios, a febre é, historicamente, uma resposta essencial do corpo contra infeções. Quando a temperatura sobe, o ambiente interno torna-se menos favorável à replicação de muitos vírus, sobretudo os da gripe humana. Contudo, o comportamento dos vírus de origem aviária parece seguir regras diferentes.
A febre pode já não ser o escudo que se pensava
Uma investigação desenvolvida pela Universidade de Cambridge sugere que os vírus da gripe aviária toleram temperaturas mais elevadas do que os suas variantes humanas. Enquanto a gripe comum se replica sobretudo nas vias respiratórias superiores, onde a temperatura ronda os 33 graus, os vírus aviários estão adaptados a ambientes fisiologicamente mais quentes.
Tal como refere a mesma fonte, estas estirpes desenvolvem-se em zonas profundas do sistema respiratório das aves, onde as temperaturas naturais variam entre os 40 e os 42 graus. Esse detalhe ajuda a explicar porque é que a febre humana pode ter um efeito limitado sobre o H5N1.
Para testar esta hipótese, os investigadores recorreram a um modelo animal. A equipa criou versões de laboratório de vírus com características semelhantes às estirpes humanas e aviárias. Ratos foram expostos a estas variantes em ambientes com temperatura normal e em condições simuladas de febre humana.
Os resultados foram consistentes. Sob temperaturas elevadas, as variantes semelhantes à gripe humana perderam capacidade de replicação. Já as variantes com características aviárias continuaram a multiplicar-se e a provocar doença, mesmo em ambiente térmico adverso.
Casos humanos e propagação animal mantêm o alerta ativo
O receio dos especialistas cresce num contexto de casos humanos e elevada circulação do vírus entre animais. Nos Estados Unidos foi recentemente registada a morte de um homem no estado de Washington, após infeção por uma estirpe até então não identificada em humanos.
Desde 2022, foram confirmados 71 casos de gripe aviária em pessoas, na sua maioria associados ao H5N1.
A incidência entre animais mantém-se elevada. O vírus foi detetado em aves selvagens e de criação em todos os estados norte-americanos, bem como em mais de mil explorações leiteiras. Só desde setembro, cerca de sete milhões de aves de produção foram afetadas, incluindo 1,3 milhões de perus.
Segundo a Executive Digest, a migração de aves selvagens durante os meses de outono é apontada como um dos principais fatores de risco para a disseminação do vírus. O cenário mais temido mantém-se inalterado: caso o H5N1 adquira capacidade de transmissão sustentada entre humanos, o mundo poderá enfrentar uma nova crise sanitária de dimensão global.
















