O teletrabalho ganhou força durante a pandemia, mas a maré parece estar a mudar. Cada vez mais empresas estão a exigir o regresso à s instalações fÃsicas, mesmo em casos onde existiam acordos claros em sentido contrário. Um desses casos é o de Farrell, trabalhador da Salesforce, que se vê agora numa situação delicada depois de ter organizado a sua vida familiar com base num regime remoto que foi, entretanto, revertido.
Uma mudança de vida que virou problema
Farrell decidiu mudar-se com a famÃlia para o oeste da Irlanda, a cerca de 275 quilómetros do escritório onde trabalha, refere o NotÃcias Trabajo. Fê-lo com base num acordo firmado com a empresa, que previa teletrabalho quase total, sendo exigida a presença fÃsica apenas em situações pontuais e necessárias.
No entanto, alguns meses depois, foi informado de que teria de passar a trabalhar presencialmente até quatro dias por semana.
Entre o choque logÃstico e o impacto económico
A situação não é apenas uma questão de gestão familiar. A mudança comprometeu também a estabilidade económica da famÃlia. Segundo a mesma fonte, Farrell vê-se agora entre duas opções difÃceis: procurar habitação mais próxima do local de trabalho, o que representa custos acrescidos, ou fazer diariamente uma viagem de ida e volta de mais de 500 quilómetros.
O caso chegou às autoridades irlandesas
A queixa apresentada por este trabalhador já foi analisada pela Comissão de Relações Laborais (WRC) da Irlanda. Trata-se do nono caso do género a ser analisado por esta entidade, mas é o primeiro a resultar numa indemnização ao abrigo da Lei de EquilÃbrio entre Vida Profissional e Disposições Variadas, em vigor desde 2023.
Indemnização atribuÃda por incumprimento de prazos
A indemnização atribuÃda, no valor de 1.000 euros, não tem que ver com o direito a continuar em regime remoto, assegura a mesma fonte.
Foi concedida exclusivamente devido ao incumprimento, por parte da empresa, do prazo legal de quatro semanas para responder a pedidos formais de teletrabalho.
A WRC sublinha que não tem competência para decidir se o trabalhador tem ou não direito a continuar a trabalhar a partir de casa.
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O pedido e os argumentos apresentados
A solicitação formal foi enviada a 10 de junho de 2024. Na mesma, Farrell explicou que era insustentável manter um percurso diário de 550 quilómetros, reforçando que o seu desempenho remoto tinha sido positivo e que havia discrepâncias internas nas polÃticas de regresso ao escritório. Segundo o mesmo, outros colegas com funções semelhantes continuavam em regime remoto.
Demora na resposta
Apesar da obrigação legal de responder no prazo de quatro semanas, a empresa só comunicou a 11 de julho, já fora do prazo legal, solicitando mais tempo, segundo refere a fonte acima citada.
A resposta definitiva, com a recusa do pedido, chegou apenas a 26 de julho. Nove dias antes, Farrell já tinha apresentado a queixa formal às autoridades competentes.
Argumentos da empresa
Salesforce justificou a exigência de trabalho presencial com a necessidade de promover a colaboração entre equipas, realizar reuniões com responsáveis de contratação e alinhar a decisão com a sua estratégia global de trabalho hÃbrido.
No entanto, Farrell afirmou que essas exigências iam contra as funções que desempenhava e que os contactos presenciais tinham sido excluÃdos do seu trabalho pelas comunicações internas da empresa, de acordo com o NotÃcias Trabajo.
Este caso levanta questões mais amplas sobre o equilÃbrio entre compromissos assumidos e alterações de estratégia nas empresas.
O teletrabalho
O debate sobre o teletrabalho, longe de estar resolvido, continua a gerar tensões, sobretudo quando entra em conflito direto com decisões de vida planeadas ao abrigo de acordos formais.
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