A gestão de dinheiros públicos e a aquisição de meios de transporte para chefes de Estado gera frequentemente controvérsia, mas poucos casos atingem um nível de desvalorização tão acentuado como este. Um imponente jato presidencial quadrimotor, outrora símbolo de prestígio nacional e capacidade diplomática, acabou por se tornar um fardo financeiro insustentável para os cofres do Estado italiano e acaba vendido. Após anos parado na pista, o destino da aeronave foi selado com uma transação de valor meramente simbólico.
O governo italiano finalizou o processo relativo ao seu maior avião presidencial, um Airbus A340-500, que foi adquirido pela quantia irrisória de um euro. De acordo com a Aeroin, portal especializado em aviação, esta operação serviu apenas para formalizar a transferência de propriedade da Etihad Airways para o Estado italiano, permitindo dar um desfecho ao aparelho que não voava há oito anos.
Uma fatura mensal astronómica
A história deste avião remonta a 2016, quando foi alugado numa altura em que a companhia aérea árabe detinha investimentos na Alitalia. O contrato original de leasing previa um pagamento mensal de 512 mil euros, valor que incluía a manutenção e o treino das tripulações.
Indica a mesma fonte que a aeronave, com a matrícula I-TALY, foi apelidada na altura de “Air Force Renzi”. A alcunha era uma referência direta a Matteo Renzi, o primeiro-ministro que autorizou a operação, considerada por muitos como desnecessária e dispendiosa para um país que saía de uma crise fiscal.
O abandono na pista
A vida útil do aparelho ao serviço do Estado foi curta, tendo operado apenas durante dois anos sob a insígnia da Aeronautica Militare. Com a mudança política em 2018 e a chegada de um governo de centro-direita, o contrato com a Etihad foi encerrado unilateralmente.
Explica a referida fonte que, durante o seu breve período de atividade, o avião realizou cerca de 88 voos diplomáticos, incluindo deslocações ao Brasil. No entanto, os custos operacionais revelaram-se demasiado elevados para justificar a sua manutenção na frota estatal.
Um gigante indesejado
A situação complicou-se porque o certificado de aeronavegabilidade expirou em 2020 e a companhia proprietária não aceitou a devolução do aparelho. A Etihad já tinha retirado todos os modelos A340 da sua frota comercial em 2017, deixando a responsabilidade do destino da aeronave nas mãos de Roma.
Este modelo específico tem um histórico notável na aviação comercial, tendo sido utilizado pela Singapore Airlines para realizar a rota mais longa do mundo. As viagens entre Singapura e Nova Iorque duravam praticamente dezanove horas, demonstrando a capacidade técnica deste avião agora rejeitado.
Destino final: a sucata
A compra por um euro faz parte de um acordo mais amplo entre a companhia aérea e o governo italiano para resolver o impasse jurídico. O objetivo não é colocar o avião a voar, mas sim enviá-lo para desmantelamento nas próximas semanas.
Explica ainda a Aeroin que o jato servirá apenas para fornecer peças sobressalentes para os poucos exemplares que ainda operam no mundo. O destaque vai para os motores Rolls-Royce Trent 500, uma série exclusiva que já não é produzida e que equipa as variantes -500 e -600 deste modelo.
















