Um caso de abuso de confiança envolvendo uma família de dois idosos em Barcelona levantou sérias preocupações sobre a vulnerabilidade dos mais velhos, ao terem sido burlados pelo seu cuidador. A história remonta a 2016 e envolve um homem de 84 anos, diagnosticado com Parkinson e com mobilidade reduzida, que dependia diariamente da ajuda de um cuidador contratado pela família.
Com um salário mensal de 880 euros, o trabalhador foi conquistando gradualmente a confiança dos familiares, ao ponto de ficar com as chaves da casa. Foi nesse contexto que, segundo a acusação, passou a acompanhar o idoso ao banco, onde o induzia a levantar quantias muito acima do necessário para despesas básicas e pagamento do ordenado. As verbas sobrantes acabavam por ficar consigo, de acordo com o jornal digital espanhol Noticias Trabajo.
Levantamentos e desaparecimento de dinheiro
Ao longo de vários meses, o cuidador terá conseguido apropriar-se de 37.580 euros, aproveitando-se do estado de saúde do idoso, que já apresentava deterioração cognitiva.
Numa outra ocasião, durante uma hospitalização da esposa, o trabalhador apropriou-se ainda de 950 euros guardados num armário, montante que sabia estar ali escondido.
Família detetou anomalias
A descoberta deu-se quando a família começou a detetar movimentos bancários anómalos e apresentou queixa. O caso chegou a tribunal, com base em documentação financeira, relatórios médicos e testemunhos de vizinhos, funcionários bancários e profissionais de saúde, refere a mesma fonte.
Conclusões do tribunal
O Juzgado de lo Penal de Barcelona considerou provado que não se tratava apenas de acompanhar o idoso ao banco, mas de o convencer a levantar quantias muito superiores, explorando a sua incapacidade para perceber o impacto económico dessas operações.
O cargo de cuidador, que exigia confiança e responsabilidade, foi considerado um agravante.
A decisão da Audiência Provincial
A Sección Sexta da Audiencia Provincial de Barcelona decidiu, em novembro de 2021, aplicar penas de prisão e indemnizações ao trabalhador. Ficou condenado a 2 anos e 6 meses de prisão por burla e mais 18 meses por furto, além de uma multa diária de 10 euros durante 12 meses.
Teve ainda de pagar 37.580 euros pela burla e 950 euros pelo furto, de acordo com o Noticias Trabajo.
Recurso sem sucesso
O condenado recorreu da decisão, mas em 2022 o Tribunal Superior de Justiça da Catalunha confirmou a sentença, mantendo as penas aplicadas e a obrigação de indemnização.
















