Fim da proibição de líquidos na bagagem de mão passa a ser uma realidade num dos maiores aeroportos da Europa, com impacto direto na forma como milhões de passageiros viajam a partir de agora. O aeroporto Heathrow, em Londres, anunciou a eliminação do limite de 100 mililitros para líquidos, após a conclusão da instalação de novos scanners de segurança de tecnologia avançada, segundo o Correio da Manhã.
A decisão foi tornada pública esta sexta-feira e marca uma mudança significativa nos controlos de segurança aplicados à aviação comercial, quase duas décadas depois da introdução das restrições atualmente em vigor em grande parte do mundo.
Com a nova tecnologia, os passageiros que partem de Heathrow passam a poder transportar líquidos em recipientes até dois litros na bagagem de mão, sem necessidade de os retirar das malas ou de os acondicionar em sacos plásticos transparentes durante o controlo de segurança.
Nova tecnologia altera regras nos controlos
Além dos líquidos, também os dispositivos eletrónicos, como computadores portáteis e tablets, deixam de ter de ser retirados da bagagem de mão, simplificando o processo de inspeção e reduzindo o tempo passado nos pontos de controlo, refere a mesma fonte.
O aeroporto londrino torna-se assim o maior do mundo a implementar de forma integral scanners de segurança com tecnologia de tomografia computadorizada, capazes de gerar imagens tridimensionais detalhadas do conteúdo das malas.
Segundo a administração do aeroporto, esta tecnologia permite identificar potenciais ameaças com maior precisão, mantendo os níveis de segurança exigidos pelas autoridades aeronáuticas internacionais.
Outros aeroportos britânicos já seguem o exemplo
A adoção destes scanners não é exclusiva de Heathrow. Outros aeroportos do Reino Unido, como Gatwick, Birmingham, Bristol e Edimburgo, já instalaram sistemas semelhantes e também permitem o transporte de líquidos até dois litros na bagagem de mão.
No entanto, nem todos os aeroportos britânicos adotaram ainda o novo modelo. Em locais como London City, Luton ou Teesside, o limite de 100 mililitros continua em vigor, enquanto se aguarda autorização regulamentar para a utilização plena da nova tecnologia.
De acordo com a mesma fonte, esta diferença significa que os passageiros devem continuar a verificar as regras específicas do aeroporto de partida, sobretudo em voos com escalas ou regressos a partir de outros destinos.
Restrições nasceram após ameaça terrorista
As limitações ao transporte de líquidos na bagagem de mão foram introduzidas a nível internacional em 2006, depois de as autoridades britânicas terem intercetado um plano para realizar atentados em voos entre Londres e os Estados Unidos com recurso a explosivos líquidos.
Desde então, a regra dos 100 mililitros tornou-se uma das imagens mais associadas aos controlos de segurança nos aeroportos, obrigando milhões de passageiros a adaptar hábitos e rotinas de viagem.
A evolução tecnológica nos sistemas de deteção tem vindo, nos últimos anos, a abrir caminho a uma revisão destas medidas, mantendo o foco na segurança, mas com maior comodidade para os viajantes.
Menos esperas e menos plástico descartável
De acordo com estimativas divulgadas pelo aeroporto, o novo sistema permitirá reduzir de forma significativa o tempo de espera nos controlos de segurança, especialmente em períodos de maior afluência.
Segundo o Correio da Manhã, Heathrow prevê ainda uma poupança anual de cerca de 16 milhões de sacos de plástico descartáveis, uma vez que deixa de ser necessário o uso de embalagens transparentes para líquidos.
O presidente executivo do aeroporto, Thomas Woldbye, sublinhou que todos os passageiros podem agora manter líquidos e computadores portáteis dentro das malas durante a inspeção de segurança, o que se traduz em menos tempo gasto na preparação e mais tempo disponível para a viagem.
E em Portugal, o que muda?
Apesar desta mudança no Reino Unido, em Portugal continuam a aplicar-se as regras europeias em vigor, que mantêm o limite de 100 mililitros para líquidos na bagagem de mão na maioria dos aeroportos.
A eventual adoção desta tecnologia nos aeroportos nacionais dependerá de investimentos em equipamentos, testes operacionais e autorização das entidades reguladoras competentes, pelo que, para já, os passageiros que partem de Portugal devem manter os procedimentos habituais nos controlos de segurança.
















