A discussão sobre o fim da mudança de hora volta a ganhar força na Europa. O governo espanhol quer pôr termo ao ajuste sazonal dos relógios e apresentou esta segunda-feira, 20 de outubro, em Bruxelas, uma proposta formal à União Europeia (UE) com vista à eliminação definitiva da prática.
De acordo com o jornal Expresso, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, considera que o sistema deixou de ter utilidade e que os seus impactos negativos superam os benefícios. A proposta pretende que a alteração entre o horário de verão e o de inverno termine em 2026, após ativação do mecanismo de revisão no Conselho de Energia.
Espanha desafia Bruxelas a agir
Num vídeo publicado na rede social X, citado pela Europa Press, Pedro Sánchez defendeu que a mudança de hora “já não faz sentido”. O líder espanhol argumentou que a medida “praticamente não contribui para poupar energia” e tem “um impacto negativo na saúde e na vida das pessoas”.
Sánchez recordou que a passagem do horário de verão para o de inverno ocorre esta semana e afirmou não ver motivo para continuar a adiantar e atrasar os ponteiros do relógio. “Em todas as sondagens, tanto em Espanha como no resto da Europa, a maioria está contra a mudança de hora”, sublinhou. Segundo a mesma fonte, o governante citou também estudos científicos que apontam para a perturbação dos ritmos biológicos causada por estas alterações.
Proposta baseia-se em decisão antiga do Parlamento Europeu
Acrescenta o mesmo jornal que o primeiro-ministro pretende reativar uma votação realizada há seis anos no Parlamento Europeu, na qual já se tinha decidido acabar com a mudança de hora. No entanto, a decisão nunca foi aplicada devido à falta de consenso entre os Estados-membros sobre qual fuso horário manter de forma permanente.
Sánchez propõe agora retomar o processo, defendendo que se trata de um exemplo de “política útil”, uma que “ouve os cidadãos, ouve a ciência e a incorpora na legislação”.
Relógios mudam no próximo fim de semana
Enquanto a proposta não é avaliada em Bruxelas, o atual regime continua em vigor. Portugal continental e as regiões autónomas da Madeira e dos Açores vão atrasar os relógios uma hora na madrugada do próximo domingo, 26 de outubro, dando início ao horário de inverno.
Em Portugal continental e na Madeira, quando forem duas horas, os relógios deverão recuar para a uma hora. Nos Açores, a alteração será feita à uma hora da madrugada, passando para a meia-noite.
Mudança obrigatória até nova decisão da UE
A hora legal voltará depois a ser alterada a 29 de março de 2026, marcando o início do horário de verão, enquanto não houver decisão em contrário a nível europeu.
De acordo com o Expresso, a diretiva comunitária que regula o sistema data de 2000 e estabelece que os relógios devem ser adiantados e atrasados no último domingo de março e no último domingo de outubro de cada ano.
A proposta espanhola promete reabrir o debate entre os Estados-membros, divididos entre manter o horário de verão de forma permanente ou regressar de vez ao horário de inverno. A decisão final poderá ser tomada ainda durante a presidência espanhola do Conselho da UE.
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