Em pleno século XXI, os riscos laborais a bordo dos aviões continuam a levantar polémica. Uma decisão recente do Tribunal Supremo espanhol obriga a Iberia a tomar medidas concretas para assegurar a segurança dos seus trabalhadores, depois de uma queixa sobre os compartimentos de bagagem nos Airbus A350, modelos que começaram a operar em 2018.
Tribunal reconhece risco para a saúde
O caso chegou ao topo da justiça espanhola depois de vários relatos de problemas físicos por parte dos assistentes de bordo, refere o blog Terra. Segundo o acórdão agora divulgado, os compartimentos de bagagem deste modelo de avião foram desenhados a uma altura entre 1,81 e 2,20 metros, o que, segundo o tribunal, representa um risco real para a saúde dos trabalhadores.
A decisão obriga a companhia aérea Iberia a adaptar os procedimentos de segurança e ferramentas usados pelas tripulações que lidam diariamente com estes espaços de armazenamento.
Mal desenhado desde o início
O problema não está no peso das malas dos passageiros, mas sim no sistema de fecho adotado pela Airbus, refere a fonte acima citada. Em vez de uma porta que fecha para baixo, como acontece em muitos modelos, os A350 obrigam os tripulantes a levantar toda a secção do compartimento até ao teto da aeronave.
Este sistema basculante exige força, precisão e, acima de tudo, altura. E é aqui que começa o verdadeiro obstáculo para muitos trabalhadores.
Quando a altura se torna um problema
A sentença sublinha que os tripulantes com menos de 1,63 metros de altura têm grandes dificuldades em fechar estes compartimentos. Em muitos casos, são obrigados a inclinar-se sobre os assentos dos passageiros, numa posição que compromete a coluna e a estabilidade.
Para agravar, cada compartimento pode suportar até 45 quilos de carga. Levantar este peso acima da cabeça, repetidamente, ao longo de vários voos, é uma tarefa que deixa marcas físicas evidentes.
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Tribunal diz: “Eles precisam de ajuda”
Foi esta a frase clara que consta na decisão do Supremo espanhol, refere ainda a mesma fonte. A sentença vem reconhecer que o desenho do avião, tal como está, não é adequado à proteção da saúde dos trabalhadores e exige “medidas especiais”.
Fica agora nas mãos da Iberia encontrar soluções concretas que garantam condições de trabalho seguras. Seja com equipamento auxiliar, alterações operacionais ou formação específica, a companhia terá de agir.
Medidas a caminho
A Iberia ainda não divulgou oficialmente que passos vai tomar, mas fontes próximas garantem que já estão a ser avaliadas várias alternativas. Uma delas pode passar por fornecer ferramentas que ajudem a fechar os compartimentos sem esforço físico elevado.
Outra possibilidade seria a reorganização do espaço interior para que os compartimentos não fiquem tão altos. Uma tarefa difícil, mas não impossível, especialmente em novas unidades da frota.
Uma questão de dignidade no trabalho
Este caso levanta questões mais amplas sobre a forma como o design dos aviões pode afetar a saúde dos trabalhadores. Muitas vezes, os tripulantes de cabine são esquecidos nas decisões técnicas, mas são eles que garantem a segurança e o bem-estar a bordo, como refere o blog Terra.
Com esta decisão judicial, Espanha dá um sinal claro de que as condições laborais no setor da aviação merecem atenção redobrada. E coloca nas mãos das companhias aéreas a responsabilidade de agir, antes que outros tribunais sejam chamados a intervir.
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