Num contexto de crescente instabilidade energética à escala global, a Agência Internacional de Energia alerta que a Europa poderá enfrentar ruturas na mobilidade dentro de poucas semanas, devido à escassez de reservas de combustível de aviação provocada pelo conflito no Médio Oriente e pelo bloqueio de uma das principais rotas petrolíferas do mundo, segundo o portal Notícias ao Minuto.
A Europa tem atualmente reservas de combustível de aviação suficientes apenas para cerca de seis semanas, segundo afirmou esta quinta-feira o diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol. O responsável admite que esta situação poderá levar a cancelamentos de voos por parte das companhias aéreas num futuro próximo.
Em declarações à Associated Press, Fatih Birol foi direto: “A Europa só tem reservas de combustível de aviação para, talvez, seis semanas”, deixando um alerta claro para o impacto imediato no setor da aviação.
Bloqueio de rota estratégica agrava crise energética
A origem desta escassez está no bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais artérias do transporte de petróleo a nível mundial, por onde passava cerca de 20% do consumo diário global.
Segundo o responsável da Agência Internacional de Energia, esta interrupção poderá desencadear a “maior crise energética que já enfrentamos”, com efeitos que vão além do petróleo e do gás natural.
No início da semana, o mesmo responsável já tinha antecipado um agravamento da situação, referindo que abril poderá ser mais difícil do que março para o setor energético, mesmo que o conflito no Irão termine rapidamente.
Falhas no abastecimento já são visíveis
Durante o mês de março, alguns navios ainda conseguiram entregar cargas previamente preparadas antes do início da crise. No entanto, em abril, a situação alterou-se significativamente.
“Nada pôde ser carregado” no Golfo neste mês, explicou Fatih Birol durante uma conferência de imprensa, sublinhando o impacto direto nas cadeias de abastecimento internacionais.
Este cenário levanta preocupações sobre a continuidade do fornecimento de combustíveis essenciais, incluindo o jet fuel utilizado na aviação comercial.
Impacto global e resposta internacional
A gravidade da situação levou a uma reunião entre a Agência Internacional de Energia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, com o objetivo de coordenar respostas à crise.
De acordo com estas instituições, o impacto do conflito no Médio Oriente será “global e altamente assimétrico”, afetando países de forma desigual, dependendo da sua dependência energética.
Kristalina Georgieva, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, destacou a necessidade de acompanhar não só a evolução da crise, mas também a forma como os países estão a reagir.
Apoios financeiros podem chegar a 60 mil milhões
Para mitigar os efeitos económicos, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial indicaram estar preparados para disponibilizar, cada um, pelo menos 20 mil milhões de dólares aos países mais afetados.
Segundo Ajay Banga, presidente do Banco Mundial, este valor poderá aumentar significativamente nos próximos meses, caso a crise se prolongue.
“Se a crise continuar, iremos redirecionar outros projetos, o que nos permitiria disponibilizar, nos próximos seis meses, um total de 50 a 60 mil milhões de dólares”, afirmou.
Infraestruturas energéticas severamente afetadas
A crise não deverá terminar com o fim do conflito, alertam os responsáveis internacionais, devido aos danos causados nas infraestruturas energéticas.
De acordo com a Agência Internacional de Energia, mais de um terço das infraestruturas energéticas dos países do Golfo foram gravemente danificadas desde o início do conflito, a 28 de fevereiro, após a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel sobre o Irão.
Em resposta, o Irão bloqueou o Estreito de Ormuz, agravando ainda mais a situação no mercado energético global.
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