Bruxelas prepara-se para impor novas regras aos telemóveis vendidos no espaço europeu a partir de 2027, com impacto direto na forma como estes equipamentos são concebidos e utilizados. O foco está nas baterias, mas as mudanças vão além disso e prometem alterar um hábito que se tornou comum entre os consumidores: trocar de dispositivo ao fim de poucos anos.
Durante a última década, a durabilidade dos smartphones foi frequentemente posta em causa. Muitos equipamentos começam a perder autonomia, desempenho e capacidade de atualização ao fim de relativamente pouco tempo.
De acordo com a Executive Digest, site especializado em atualidade e economia, esta realidade está ligada ao fenómeno da obsolescência programada, que consiste no desenvolvimento de produtos com uma vida útil limitada à partida.
Mais exigência nas baterias e na reparação
A nova legislação europeia pretende travar essa tendência. Entre as principais exigências está a obrigatoriedade de as baterias suportarem um número mais elevado de ciclos de carregamento sem degradação significativa. Na prática, isto deverá traduzir-se em dispositivos com maior longevidade, reduzindo a necessidade de substituição precoce.
Outra mudança relevante prende-se com a substituição das baterias. Nos últimos anos, a indústria tem apostado em equipamentos selados, dificultando o acesso a componentes internos. Com as novas regras, os fabricantes serão obrigados a facilitar a troca de baterias por parte dos utilizadores, sem necessidade de ferramentas especializadas ou assistência técnica complexa.
Esta medida surge na sequência de iniciativas anteriores de Bruxelas, como o chamado direito à reparação. A legislação já em vigor obriga os fabricantes a assegurarem assistência técnica e disponibilidade de peças durante um período mínimo, promovendo a reparação em detrimento da substituição.
O objetivo é claro: prolongar o ciclo de vida dos equipamentos e reduzir o volume de resíduos eletrónicos. Todos os anos, a Europa gera milhões de toneladas deste tipo de lixo, grande parte proveniente de dispositivos que poderiam continuar a ser utilizados com pequenas intervenções.
Menos descarte, mais controlo do utilizador
Com este novo enquadramento, os consumidores passam a ter maior controlo sobre os seus equipamentos. A possibilidade de substituir a bateria de forma simples poderá evitar a compra de um novo telemóvel apenas por perda de autonomia, um dos problemas mais comuns apontados pelos utilizadores.
Ao mesmo tempo, as marcas terão de adaptar os seus processos de produção e design. Equipamentos mais fáceis de abrir e reparar poderão marcar uma inversão face à tendência recente de dispositivos cada vez mais compactos e selados.
A médio prazo, estas alterações poderão também influenciar o mercado global. Sendo a União Europeia um dos maiores blocos económicos, as regras impostas em território europeu tendem a ter impacto nas estratégias das fabricantes a nível internacional.
Segundo a mesma fonte, estas medidas fazem parte de uma estratégia mais ampla para tornar o consumo tecnológico mais sustentável, alinhando-se com metas ambientais e de economia circular definidas por Bruxelas.
A partir de 2027, o telemóvel poderá deixar de ser encarado como um produto de substituição frequente. Em vez disso, passará a ser pensado para durar mais tempo, com implicações tanto para consumidores como para a indústria.
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