A Comissão Europeia prepara um conjunto de medidas para responder à escalada dos preços da energia e uma delas mexe diretamente com a organização do trabalho: Bruxelas admite tornar obrigatório um dia de teletrabalho por semana, sempre que possível. A proposta integra um pacote mais amplo que deverá ser apresentado nos próximos dias e que inclui também alterações com impacto no custo de vida.
De acordo com o Notícias ao Minuto, um site português generalista de informação, o plano comunitário prevê igualmente a recomendação de redução dos preços dos transportes públicos. A intenção passa por aliviar a pressão sobre os consumidores e, ao mesmo tempo, reduzir o consumo energético associado às deslocações diárias.
A apresentação formal das medidas deverá ser feita por Ursula von der Leyen na próxima semana. No que diz respeito ao teletrabalho, a lógica é simples: menos pessoas em deslocação significa menor consumo de combustível e menor pressão sobre os mercados energéticos, numa altura em que os preços continuam a subir em toda a União Europeia.
Um pacote mais vasto para travar a escalada
Para além da reorganização laboral e dos transportes, Bruxelas está a equacionar um conjunto de apoios dirigidos às famílias mais afetadas. Entre as hipóteses em análise encontram-se ajudas financeiras específicas, a aplicação temporária de preços regulados e reduções nos impostos sobre a eletricidade.
O cenário energético, porém, não dá sinais de alívio imediato. O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, já alertou que abril poderá ser ainda mais difícil do que março, mesmo num contexto de eventual estabilização geopolítica. A crise atual, sublinhou, ultrapassa o petróleo e o gás natural, estendendo-se a matérias essenciais como fertilizantes, produtos petroquímicos e até o hélio.
Também no plano político europeu cresce a pressão para uma resposta coordenada. O presidente do Conselho Europeu manifestou confiança na aprovação de medidas de apoio por parte dos Estados-membros, num contexto que descreveu como particularmente exigente.
Entre as soluções em discussão estão limites temporários ao preço do gás, redução de encargos nas faturas energéticas e maior flexibilidade para que os governos apoiem empresas e setores industriais mais expostos aos custos elevados da energia.
Mercado energético e resposta estrutural
A Comissão Europeia está ainda a avaliar possíveis ajustes no mercado europeu de carbono e a utilização de reservas estratégicas, numa tentativa de estabilizar os preços no curto prazo. Paralelamente, insiste que a resposta de fundo passa por acelerar o investimento em energias renováveis, reforçar as redes elétricas e melhorar a eficiência energética.
Segundo a mesma fonte, o pacote reflete uma tentativa de equilibrar medidas imediatas com reformas estruturais, num momento em que a crise energética é já considerada uma das mais graves das últimas décadas, impulsionada também pelo contexto internacional e pela instabilidade no Médio Oriente.
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