Com o aumento das temperaturas e das viagens de verão, as autoridades de saúde voltam a alertar para doenças virais transmitidas por carraças em várias regiões da Europa. Este verão foram confirmados novos casos de febre hemorrágica da Crimeia-Congo (CCHF) em Espanha, um virús potencialmente fatal, transmitida por carraças, que tem provocado dezenas de infeções nos últimos anos. A província de Salamanca é considerada um dos principais focos, de acordo com o jornal Daily Express, e as autoridades britânicas já emitiram um alerta para os turistas que visitam esta região.
De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), os últimos casos identificados ocorreram precisamente na mesma localidade de episódios anteriores, o que reforça a presença endémica do vírus nesta região do interior espanhol. Estima-se que, entre os animais selvagens e domésticos da zona, a presença de anticorpos contra o vírus ultrapasse os 70%.
Um risco para quem pratica atividades ao ar livre
Apesar de o risco para a população em geral ser considerado baixo, há um aumento significativo de perigo entre pessoas que exercem atividades como caça, vigilância animal, caminhadas em mato fechado ou trabalhos em áreas florestais. Segundo aponta a mesma fonte, nestes casos, a probabilidade de exposição às carraças transmissoras do vírus é bastante superior.
A infeção é provocada por um vírus da família Nairovirus, presente em África, no Médio Oriente, Ásia e nos Balcãs, e apresenta uma taxa de mortalidade que pode variar entre 10% e 40%, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os sintomas mais comuns incluem febre elevada, dores musculares, náuseas, manchas vermelhas na pele e, nos casos mais graves, hemorragias internas e externas difíceis de controlar.
Doença está na lista de ameaças prioritárias da OMS
A febre hemorrágica da Crimeia-Congo é uma das nove doenças virais prioritárias identificadas pela OMS com maior potencial para originar surtos graves a nível mundial. O primeiro caso registado remonta a 1944, na Crimeia, tendo o vírus sido isolado mais tarde no Congo, em 1956, dando origem ao nome atual.
Nos últimos anos, de acordo com a fonte acima citada, os especialistas têm vindo a alertar para a possibilidade de alastramento desta e de outras doenças transmitidas por vetores, impulsionado pelas alterações climáticas, que criam condições favoráveis à propagação de carraças em novos territórios europeus.
Medidas de proteção recomendadas
O ECDC recomenda que quem circule em zonas onde há risco conhecido de presença do vírus adote medidas de proteção contra picadas de carraça. Estas incluem o uso de vestuário adequado (roupa comprida e clara), a aplicação de repelentes e a inspeção cuidadosa da pele e da roupa após atividades ao ar livre, conforme refere o jornal Daily Express.
A plataforma britânica Travel Health Pro, que funciona em articulação com o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, destacou recentemente o surto desta doença como uma preocupação relevante para quem viaja para esta região. O alerta surge numa altura em que milhares de turistas britânicos continuam a escolher destinos no interior e sul de Espanha para férias de verão.
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