A pressão turística em destinos muito procurados da Europa continua a obrigar várias autoridades locais a apertar regras e a tentar proteger a convivência entre visitantes, comércio e residentes. Em Capri, uma ilha que é das mais conhecidas de Itália, o problema passou a ser também a forma como muitos turistas são abordados logo à chegada.
Capri decidiu reforçar o controlo sobre as abordagens comerciais na via pública, numa tentativa de reduzir o incómodo causado a turistas e habitantes por operadores turísticos, restaurantes e outros negócios que tentam captar clientes de forma insistente, de acordo com a Euronews.
A medida surge num destino que, em plena época alta, pode receber até 50 mil visitantes por dia, muito acima da população residente, estimada entre 13 mil e 15 mil pessoas.
Câmara quer travar abordagens insistentes
A nova regra consta da Ordinanza n.º 78, de 7 de abril de 2026, da Polícia Municipal da Cidade de Capri, que proíbe operadores comerciais, titulares de agências de serviços turísticos e respetivos colaboradores de fazerem captação de clientes com métodos invasivos e insistentes em espaço público ou de uso público. O texto refere também publicidade de rua não solicitada com recurso a folhetos, mapas ou outros materiais promocionais.
Na prática, a intenção é impedir que os visitantes sejam sucessivamente travados na rua com propostas de passeios de barco, excursões, visitas guiadas ou promoções de restauração.
Segundo a mesma fonte, o presidente da câmara, Paolo Falco, disse que há turistas que são abordados mais de cinco vezes entre o desembarque e a chegada ao funicular, considerando que isso cria um efeito desagradável e prejudica a imagem da ilha.
Capri já tinha avançado com outras restrições
Esta não é a primeira tentativa de Capri para recuperar algum controlo sobre a experiência turística. Em fevereiro, a ilha já tinha anunciado novas regras para os grupos organizados, com limite de 40 pessoas por grupo e proibição do uso de altifalantes, megafones e guarda-chuvas por parte dos guias em determinadas situações.
Essas medidas surgiram no contexto de uma estratégia mais ampla para responder ao excesso de visitantes, num território onde o fluxo turístico tem vindo a aumentar e a criar pressão sobre ruas estreitas, pontos panorâmicos e zonas de circulação pedonal.
Multas podem ir até aos 500 euros
Quem desrespeitar a nova portaria arrisca uma coima administrativa entre 25 e 500 euros, sendo admitido pagamento reduzido de 300 euros, segundo o texto oficial do município. A mesma ordem determina ainda a divulgação da medida pelos canais institucionais e a sua comunicação às forças de segurança para fiscalização.
O município, de acordo com a Euronews, justifica a decisão com a necessidade de proteger o decoro urbano, a fluidez da circulação e a utilização livre do espaço público por residentes e turistas, sobretudo em zonas como o centro histórico e Marina Grande.
No caso de Capri, a prioridade passa agora por permitir que quem chega à ilha possa circular com mais tranquilidade, sem se sentir cercado por propostas comerciais logo nos primeiros minutos da visita.
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