Professores que testaram as novas aprendizagens essenciais consideram que as alterações em preparação pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação pouco mudam o conteúdo dos currículos e o dia a dia nas escolas, embora tragam orientações mais claras para a avaliação de desempenho dos alunos.
Segundo a Lusa, o ministério está a rever as aprendizagens essenciais de todas as disciplinas e colocou, no final de março, uma versão preliminar revista em consulta pública. Antes disso, 12 escolas participaram num projeto-piloto, iniciado no começo do ano letivo, para testar os novos documentos orientadores nos 1.º, 3.º, 5.º, 7.º e 10.º anos.
A experiência incidiu sobretudo nos novos descritores, que indicam o que o aluno deve ser capaz de fazer para demonstrar determinada competência, e nos descritores de avaliação, organizados por diferentes níveis de desempenho.
Albufeira entre as escolas do projeto-piloto
No Algarve, docentes do agrupamento de Albufeira estiveram entre os professores ouvidos pela Lusa. Maria José Leote, professora de História, queixa-se do excesso de matéria e lamenta que, no âmbito do projeto-piloto, o ministério não tenha pedido opinião aos docentes sobre os conhecimentos previstos nas aprendizagens essenciais.
“São muitos temas, tantos que, a certa altura, há uma aflição para não deixarmos nada para trás e tentarmos conseguir ensinar tudo”, afirmou à Lusa. A professora descreve uma “luta contra o tempo”, em que se torna muito difícil “tratar os temas com profundidade e adotar estratégias ativas que sejam desejáveis”.
Também no agrupamento de Albufeira, Marco Neves, coordenador do departamento de Ciências Exatas, destaca o reforço da articulação entre a educação para a cidadania e as disciplinas do ensino secundário, onde Cidadania e Desenvolvimento não existe como disciplina autónoma.
“No fundo, o que muda é haver um maior grau de orientação, apesar de serem temas transversais”, explicou à Lusa.
Na prática, segundo os docentes, estes temas já eram introduzidos nas aulas, mas os documentos em vigor eram pouco claros sobre a forma de o fazer.
Avaliação mais objetiva, mas currículos pouco alterados
Entre os professores ouvidos, uma das principais diferenças está nos descritores de avaliação. Paulo Lavoura, professor de História no Colégio Rainha Santa Isabel, em Coimbra, considera que estes instrumentos podem permitir uma avaliação “mais objetiva e transparente”, embora defenda mudanças mais profundas nas matérias lecionadas.
Já Afonso Athayde, professor de Matemática, entende que, pelo menos no 10.º ano, as novas aprendizagens essenciais terão pouco impacto nos conhecimentos adquiridos pelos alunos, criticando a ausência de uma abordagem mais clara à lógica.
No 1.º ciclo, Ana Filipa Tavares, de Loures, considera que os documentos valorizam a diferenciação pedagógica, mas lembra que a sua eficácia depende da capacidade das escolas para criar condições de resposta “verdadeiramente diferenciada, inclusiva e sustentável”.
Leia também: Olhão e Tavira lideram praias “Zero Poluição” no Algarve















