A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) vai assumir a condução do plano de drenagem de Albufeira, lançado pela autarquia em 2016, com um investimento de 46 milhões de euros para responder ao risco de cheias. A principal intervenção será um túnel para desviar diretamente para o mar o caudal da ribeira que atravessa a cidade.
O anúncio foi feito pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, em 30 de setembro, durante uma conferência de imprensa em Quarteira, no concelho de Loulé, segundo a Lusa.
O plano “é feito em colaboração com a autarquia, mas está a ser dirigido pela Agência Portuguesa do Ambiente”, explicou a governante. O financiamento será assegurado pelo Sustentável 2030, programa dedicado à ação climática e à sustentabilidade, financiado pelo Fundo de Coesão.
Túnel custa mais do dobro do valor previsto em 2016
O presidente da APA, José Pimenta Machado, adiantou que o túnel representa um investimento de 33 milhões de euros, mais do dobro dos 15 milhões estimados há dez anos.
Com uma extensão de 1,5 quilómetros, a infraestrutura permitirá desviar o caudal da ribeira de Albufeira, aliviando as zonas baixas e encaminhando a água para o oceano. Esta solução foi explicada em 2016 por José Saldanha Matos, professor catedrático do Instituto Superior Técnico que desenvolveu o plano.
“Era um plano que já estava previsto. A boa notícia é que já tem maturidade, já há um projeto, que terá de ser sujeito à avaliação de impacte ambiental”, afirmou José Pimenta Machado.
Plano responde às cheias
Maria da Graça Carvalho classificou a intervenção como “um grande projeto”, comparando a sua dimensão à do plano de drenagem de Lisboa, embora reconhecendo que este é maior. A ministra sustentou que a obra permitirá resolver o problema de uma das zonas algarvias mais expostas a cheias.
O Plano Geral de Drenagem de Albufeira foi apresentado em 2016, na sequência da intempérie de 1 de novembro de 2015. Na baixa da cidade, a água chegou a atingir 1,80 metros de altura, causando danos na via pública e prejuízos de milhares de euros a comerciantes e empresários.
Embora o túnel nunca tenha avançado, algumas intervenções previstas no plano foram concretizadas. Entre elas estão a estação elevatória da Praça dos Pescadores e o coletor de meia encosta poente, destinado à drenagem pluvial na zona do Cerro Grande.
Além do túnel, permanece por construir outro coletor a nascente. Na mesma conferência de imprensa, a ministra anunciou um investimento total previsto de 120 milhões de euros até 2028 na gestão inteligente da água no Algarve.
Os projetos terão financiamento de 40% pelo Fundo Ambiental, cabendo a restante parcela ao programa operacional Algarve 2030. O objetivo é reduzir as perdas nas redes de abastecimento público de 20% para 15%.
A agenda da visita incluía ainda, nessa tarde, em Faro, o ato de assinatura da primeira tranche de pagamento do Fundo Ambiental, no valor de 3,7 milhões de euros, destinada a estes investimentos.
Cinco concelhos com obras
Para o litoral algarvio, estão previstos cerca de 32 milhões de euros de investimento nos concelhos de Loulé, Faro, Portimão, Lagos e Albufeira.
Segundo José Pimenta Machado, as intervenções abrangem a reposição dos areais, a reabilitação de arribas e a reestruturação dos molhes de Quarteira, procurando diminuir o impacto da erosão costeira.
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