Este mês de maio marca uma data simbólica para a agricultura algarvia: os 35 anos da Frusoal — Frutas do Sotavento Algarve. Fundada em 1990 por um grupo de 28 produtores visionários, a Frusoal cresceu de forma sólida e sustentada, até se afirmar como a maior organização de produtores de citrinos em Portugal. Com sede em Vila Nova de Cacela, a empresa tornou-se um pilar do setor agroalimentar regional e nacional, sendo hoje responsável por uma produção anual que ultrapassa as 40 mil toneladas de fruta, com destaque para os citrinos, que representam 80% da sua atividade.
Mais do que números, a Frusoal é sinónimo de compromisso com a qualidade, a sustentabilidade e a inovação. A empresa orgulha-se das certificações que ostenta — como a GlobalG.A.P., a GRASP ou a IGP Citrinos do Algarve —, das parcerias estratégicas com instituições científicas e da capacidade de levar o melhor do Algarve às mesas de consumidores em países como França, Alemanha, Reino Unido ou Canadá. Para assinalar este marco e conhecer mais de perto os bastidores desta história de sucesso, o Postal do Algarve esteve à conversa com Pedro Madeira, sócio-gerente da Frusoal, que nos falou dos desafios superados, da visão para o futuro e do orgulho de levar o nome da região cada vez mais longe.
P – A Frusoal comemora este ano 35 anos de existência. Que balanço faz deste percurso e quais considera terem sido os momentos mais marcantes desta história de sucesso?
R – O balanço é muito positivo. Ao longo destes 35 anos, a Frusoal tem vindo a crescer de forma consistente, tanto em número de produtores associados como em volume de produção e de negócios. Somos hoje a maior Organização de Produtores (OP) de Citrinos em Portugal.
Entre os marcos mais significativos deste percurso destaca-se o reconhecimento, em 2001, como Organização de Produtores de Citrinos pela União Europeia — estatuto que mais recentemente foi alargado aos abacates, dióspiros e à alfarroba. Outro momento decisivo foi o início da prestação de serviços aos nossos associados, permitindo viabilizar pequenas estruturas produtivas. Momento marcante aconteceu também em 2004, com a restruturação total da Central principal de Cacela. Em 2007, arrancámos com a produção própria, sendo atualmente a Frusoal o maior produtor dentro da própria OP. Em 2009, adquirimos a Tavifruta, o que permitiu expandir a nossa capacidade de laboração para um segundo armazém. A consolidação ao longo dos anos do nosso posicionamento como fornecedores das grandes superfícies nacionais e o crescimento contínuo da quota de exportação são também marcos a realçar.

P – Começaram com 28 produtores e hoje reúnem mais de 60 associados e 1.500 hectares de produção. Quais foram os principais fatores que permitiram este crescimento sustentado ao longo das décadas?
R – Este crescimento sustentado resulta de vários fatores. A concentração da oferta e o controlo da produção garantem ao consumidor final produtos seguros e de qualidade. Apostámos desde sempre na qualidade e no sabor, com várias certificações que o atestam. A nossa capacidade de disponibilizar produtos praticamente durante todo o ano tem sido uma mais-valia importante, permitindo uma afetação ótima dos fatores de produção e possibilidade de estabelecer parcerias de continuidade com as grandes superfícies nacionais e europeias.
P – A sustentabilidade é uma bandeira forte da Frusoal. Como têm evoluído as vossas práticas agrícolas neste campo e de que forma as certificações contribuíram para fortalecer a confiança dos mercados nacionais e internacionais?
R – Dada a escassez de água que afeta a nossa região de forma cíclica, essa tem sido uma das maiores preocupações de todo o sector citrícola. A melhoria continua da eficiência hídrica coadjuvando o sistema de rega gota a gota com sondas de humidade e programadores de rega que permitem uma gestão da rega o mais eficiente possível. Temos também entrado em vários projetos que visam dispor de melhorar conhecimento para melhor atuação ao nível das podas, do combate à mosca do mediterrâneo e mesmo para mitigar as alterações climáticas gerindo recursos em contexto de escassez dos mesmos.
P – A vossa aposta na exportação e a entrada em novos mercados, como o Canadá, a Escandinávia e mais recentemente Itália, demonstram uma ambição crescente. Quais são os próximos passos no plano de internacionalização da Frusoal?
R – A nossa estratégia de internacionalização continua a privilegiar mercados de proximidade, sempre com o objetivo de garantir fruta colhida no ponto ótimo de maturação e próxima do momento de consumo. Para além dos mercados já consolidados — Espanha, França, Alemanha e Suíça — temos vindo recentemente a desenvolver um trabalho interessante e de continuidade na Holanda e no Luxemburgo (não temos o mercado italiano).
P – Sendo os citrinos do Algarve um produto de excelência, com características únicas reconhecidas por certificações como a IGP, de que forma a Frusoal contribui para valorizar e promover esta identidade agrícola da região?
R – A IGP Citrinos do Algarve é, para nós, uma ferramenta essencial na valorização da produção regional. A região possui condições edafoclimáticas ótimas, que se traduzem em citrinos de excelência. Esta certificação garante ao consumidor que está a adquirir frutos que são produzidos com respeito pelo meio ambiente, são sempre colhidos no ponto ótimo de consumo, laborados e embalados com os mais rigorosos critérios, cumprindo com o HACCP (Análise de Perigos e Controlo de Pontos Críticos).
P – A inovação e o investimento tecnológico são pilares da vossa visão estratégica. Pode partilhar connosco algumas das iniciativas mais recentes em investigação e desenvolvimento que a Frusoal está a liderar?
R – Estamos a preparar a criação de um centro de investigação e sustentabilidade junto à nossa central em Tavira, que terá o nome FRUSOAL INOVCITRUS. Um dos projetos prioritários para os próximos três anos será o estudo da praga “Thirps”, que tem causado danos significativos em citrinos — sobretudo limões e limas nas últimas campanhas. Estabelecemos um protocolo com o InnovPlantProtect para aprofundar o conhecimento sobre esta praga e encontrar formas de mitigação eficazes. A nossa responsabilidade, enquanto organização de referência, passa também pela produção de conhecimento científico aplicado. Nesse caminho, temos contado com a Universidade do Algarve como um parceiro essencial e privilegiado.
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