Aos 70 anos, Rogério Bugalho mantém uma vida em constante movimento, marcada pelo desporto e pela luta diária contra a doença de Parkinson. Entre o voleibol e o kickboxing, recusa parar e encontra no exercício físico a sua principal forma de superação.
Rogério Bugalho compara a sua vida à evolução da humanidade: um percurso feito de adaptação constante, resistência e superação. Diagnosticado com a doença de Parkinson aos 42 anos, recusa parar. Pelo contrário, mantém uma rotina diária de exercício e garante que sente diferenças sempre que abranda. “Se fico um dia sem treinar, noto logo que estou pior”, afirma.

Natural de Moçambique, onde nasceu em 1955, cresceu entre o mato e a cidade, num ambiente que ajudou a moldar a sua ligação ao movimento e à atividade física. Mudou-se para Portugal ainda jovem, fixando-se no Barreiro, onde iniciou um percurso desportivo diversificado.
Do voleibol ao treino: uma vida dedicada ao desporto
Após regressar a Portugal, em 1971, iniciou prática de ginástica e futebol no Barreiro, mas rapidamente se fixou no voleibol.
Foi no voleibol que se destacou, modalidade à qual dedicou cerca de 30 anos, tanto como jogador, como treinador. Representou clubes como o Leça, o Louletano, o Quarteirense, o Clube de Vela de Tavira e os Sonâmbulos da Luz de Tavira. Ao longo do tempo, assumiu também funções técnicas, contribuindo para a subida de equipas de divisão e para o desenvolvimento de atletas.
Paralelamente, manteve sempre uma forte ligação ao mar, praticando caça e pesca submarina e organizando torneios de voleibol de praia na ilha de Tavira. Foi ainda treinador na Universidade do Algarve em 1996 durante três anos, reforçando o seu envolvimento com o desporto a nível formativo.
O diagnóstico e a adaptação
A doença surgiu em 1998, de forma subtil. Perda de força, alterações no movimento e dificuldades físicas começaram a surgir, levando ao diagnóstico de Parkinson. Ainda assim, Rogério nunca parou. Quando deixou de conseguir competir, passou a treinar. Quando deixou de conseguir treinar equipas, encontrou novas formas de se manter ativo, sublinhou o mesmo.
Hoje, mantém uma rotina diária de exercício físico e, há cerca de dois meses, começou a praticar kickboxing, após ser incentivado durante um treino ao ar livre. Aceitou o desafio e encontrou na modalidade mais uma forma de se manter em movimento.
“Não é nada do que as pessoas pensam. É um desporto como qualquer outro”, refere ao Postal do Algarve.
É a sua “teimosia” que o mantém de pé e independente “se ele cai, prefere levantar-se sozinho”, referem familiares.
Rogério continua a desafiar os próprios limites, recusando ceder à inatividade e procurando sempre novas formas de se superar.
Quando questionado sobre o que o motiva, responde de forma direta: sentir-se melhor e ajudar os outros.
No final, deixa uma mensagem clara para quem enfrenta dificuldades: “Nunca desistir.”
EJ/CM
Leia também: Atum-rabilho com mais de 100 quilos capturado em Tavira abre nova campanha piscatória















