Empresários, gestores e profissionais reuniram-se em Bensafrim, no concelho de Lagos, para discutir o futuro das organizações perante o avanço da Inteligência Artificial e da robótica, num encontro promovido pela TriD Consultores a propósito da inauguração das novas instalações da empresa.
Realizada a 25 de setembro, a iniciativa juntou também representantes de organizações da região e partiu de uma questão sobre o papel que as relações humanas poderão desempenhar no futuro das empresas e do mercado de trabalho.

O encontro decorreu num formato aberto, procurando reunir diferentes perspetivas sobre as transformações provocadas pela tecnologia.
“Há duas palavras mágicas: IA e robótica”
Luís Serra Coelho, professor e diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, considerou que a sociedade e o mercado de trabalho atravessam uma transformação profunda.
“Estamos perante uma autêntica revolução da forma como nos organizamos enquanto sociedade e enquanto mercado de trabalho. Há duas palavras mágicas: IA e robótica”, afirmou.

Na perspetiva do professor, os próximos anos poderão trazer alterações significativas, tendo defendido que “o mundo nos próximos 5 a 10 anos vai entrar em profunda convulsão” devido ao impacto destas tecnologias.
A discussão não ficou, porém, limitada à eventual automatização de tarefas ou ao desaparecimento de profissões. A mudança na composição das equipas e os desafios colocados às lideranças foram igualmente abordados.

Luísa Salazar d’Eça, Head of People & Culture da Aviludo, chamou a atenção para a possibilidade de as equipas do futuro integrarem simultaneamente pessoas e agentes de Inteligência Artificial.
“Atualmente os líderes têm que liderar equipas híbridas, uns em casa, outros no escritório. No futuro, nas equipas híbridas, uns vão ser pessoas e outros agentes IA. São esses líderes que nós temos que encontrar”, afirmou.
Luís Serra Coelho acrescentou que “o líder do futuro tem que liderar máquinas”.
Relações humanas vistas como fator de criação de valor
Amélia Santos, cofundadora e CEO da Innuos, defendeu que a transformação tecnológica deve ser acompanhada por uma reflexão sobre a capacidade de Portugal criar valor.
“Nós não somos grandes o suficiente para fazer volume”, afirmou, defendendo uma aposta em setores de elevado valor acrescentado que, na sua perspetiva, “obriga-nos a investir mais em relações humanas”.

A empresária salientou ainda o peso crescente das experiências, considerando que “as experiências, de uma forma própria, envolvem pessoas”.
Também Sara Coelho, vereadora da Câmara Municipal de Lagos, destacou a importância da dimensão humana perante o desenvolvimento tecnológico.

“Confesso que ainda não estou convencida de que o mundo no futuro não vai precisar de seres humanos e que vai prescindir do relacionamento entre pessoas”, afirmou.
A autarca defendeu a necessidade de continuar a investir na forma como as organizações funcionam internamente e na relação entre as pessoas que as integram.
Novas instalações querem acolher formação e debate
Durante o encontro, Hélder Almeida e Caroline Forges, consultores e fundadores da TriD, recordaram a questão que esteve na origem da empresa: “Como podemos fazer diferente nas organizações, para que o lado humano possa funcionar melhor?”

As novas instalações, em Bensafrim, deverão funcionar não apenas como espaço de trabalho, mas também acolher conversas, encontros, ações de formação e momentos de aprendizagem.
A TriD Consultores atua nas áreas do desenvolvimento organizacional e das lideranças e pretende utilizar o novo espaço para promover encontros, reflexão, aprendizagem e partilha de ideias sobre o futuro das organizações.
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