Com a popularidade crescente dos serviços de pagamento instantâneo, como o MB WAY, também aumentam os casos de fraude digital em Portugal. Apesar de a aplicação ser considerada segura, os esquemas de burla têm-se tornado mais sofisticados e, por vezes, a vítima nem percebe que está a ser enganada.
Segundo a SIBS, entidade responsável pela plataforma, o serviço “utiliza protocolos e algoritmos de segurança que garantem a confidencialidade, integridade e autenticação dos dados transmitidos”, cumprindo as normas de segurança europeias em vigor.
As transações e comunicações são ainda monitorizadas em permanência por uma equipa dedicada à deteção de fraude.
Ainda assim, o sistema não é infalível quando os próprios utilizadores facilitam involuntariamente o acesso às suas contas. Os burlões aproveitam-se sobretudo da falta de literacia digital e financeira para manipular vítimas em contextos de compra e venda online.
Esquemas mais comuns em plataformas de venda
De acordo com a DECO PROTeste, os casos mais recorrentes envolvem sites como OLX, Custo Justo ou Facebook Marketplace, onde os burlões se fazem passar por compradores interessados em pagar por MB WAY.
Um dos métodos mais utilizados consiste em convencer a vítima a aderir ao serviço num multibanco, associando, sem saber, o número de telemóvel do burlão à sua conta bancária. A partir daí, o criminoso passa a ter controlo sobre o dinheiro da vítima.
Mensagens falsas dentro da própria aplicação
Outro esquema frequente ocorre quando a vítima já possui MB WAY. O burlão pede o número associado à app e, em vez de enviar dinheiro, utiliza a função “Pedir dinheiro” com uma mensagem personalizada a simular uma transferência pendente. Quando a vítima aceita, está na verdade a autorizar um débito da sua conta.
Segundo a mesma fonte, esta manipulação é possível porque o MB WAY permite ao utilizador escrever uma mensagem livre no pedido de dinheiro, algo que contribui para tornar o engodo mais convincente.
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Medidas básicas de prevenção
Para evitar cair nestas situações, as autoridades aconselham a nunca associar à conta bancária um número que não seja pessoal e a rejeitar instruções de desconhecidos sobre como usar a aplicação.
A verificação frequente do extrato bancário é outra das práticas recomendadas, bem como o recurso ao chat da própria aplicação para denunciar comportamentos suspeitos.
E se perder o telemóvel ou o cartão?
Caso o dispositivo com MB WAY seja roubado, é possível desativar o acesso através da app noutro aparelho ou diretamente num terminal multibanco.
Se o utilizador não tiver mais nenhum equipamento com a aplicação instalada, deve contactar o banco ou recorrer ao menu da app num ATM para cancelar a associação.
Em caso de perda ou roubo do cartão bancário ligado à app, a recomendação é cancelar imediatamente o cartão junto do banco emissor. Em alternativa, a SIBS disponibiliza os contactos 808 201 251 e 217 918 780 para apoio direto.
Quem é responsável nestes casos?
A DECO PROTeste considera que estas situações não são imputáveis à SIBS nem aos bancos, dado que exigem uma participação ativa por parte da vítima, mesmo que feita de forma inadvertida. A recomendação passa, assim, por reforçar a informação pública e a educação digital.
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