Ir ao supermercado tornou-se uma preocupação constante para muitas famílias, numa altura em que os preços dos bens essenciais continuam a subir e a pressionar o orçamento mensal, sobretudo nas casas com filhos. Neste artigo, falar-lhe-emos sobre um espanhol, pai de família, que revelou quanto gasta por mês no supermercado.
A sensação de que a cesta da compra está cada vez mais cara não é apenas perceção. Os dados mais recentes confirmam que os alimentos básicos continuam a encarecer, acumulando aumentos sucessivos ao longo dos últimos meses.
Só em dezembro do ano passado, o custo médio da cesta de compras em Espanha aumentou 0,52%, segundo o mais recente relatório da Organização de Consumidores e Utilizadores, agravando um cenário que já vinha a pesar nos orçamentos familiares, de acordo com o jornal digital espanhol Noticias Trabajo.
Um testemunho que espelha a realidade
Foi neste contexto que o desabafo de um pai de família, farmacêutico de profissão, se tornou viral nas redes sociais. Na sua conta da rede social X, decidiu partilhar valores concretos do que gasta semanalmente no supermercado. Segundo explica, há semanas em que a fatura ronda os 180 euros e outras em que fica perto dos 140 euros, sempre em compras feitas no mesmo supermercado.
“Somos três pessoas em casa e a minha filha almoça na escola. Em 2025, o gasto médio mensal em supermercado anda nos 735 euros”, escreveu, numa publicação que rapidamente gerou centenas de comentários de outros utilizadores a relatar situações semelhantes.
Uma pressão que não dá tréguas
O estudo da OCU, que acompanha mês a mês os preços de mais de uma centena de produtos de alimentação, higiene e drogaria nas principais cadeias de supermercados, confirma esta tendência.
No último ano, a cesta de compras encareceu em média cerca de 2,5%. Embora este aumento seja mais moderado do que nos últimos quatro anos, não tem sido suficiente para aliviar a pressão sentida pelas famílias, de acordo com a mesma fonte.
Produtos essenciais lideram os aumentos
Apesar do ritmo mais contido, vários produtos de consumo diário registaram subidas expressivas. Café, bananas e limões atingiram valores recorde, enquanto os produtos frescos continuam a puxar pelos preços. Carnes, charcutaria, lacticínios e peixe voltaram a subir em dezembro, contribuindo de forma significativa para a inflação alimentar.
Quando se olha para um período mais longo, o impacto torna-se ainda mais evidente. Comparando com há três ou quatro anos, o custo total da cesta da compra está cerca de 36% mais caro, de acordo com os dados disponíveis.
Diferenças que fazem a diferença
Este aumento generalizado não afeta todas as famílias da mesma forma. Existem disparidades significativas de preços entre cadeias de supermercados e também entre diferentes regiões, o que faz com que a mesma lista de compras possa custar dezenas de euros a mais ou a menos, consoante o local onde é feita.
Para muitas famílias, a gestão do orçamento passa agora por comparar preços, aproveitar promoções e reduzir ao mínimo os produtos considerados não essenciais, de acordo com o Noticias Trabajo.
E em Portugal, como está a situação?
Em Portugal, a pressão no orçamento das famílias também tem números bem medidos. A DECO PROteste acompanha semanalmente um cabaz de 63 bens essenciais e, na semana de 7 de janeiro deste ano, esse cabaz custava 241,83 euros.
Face a janeiro de 2022 (início da monitorização), o mesmo cabaz está 54,13 euros mais caro, o que corresponde a +28,84% em quatro anos. Na comparação com 8 de janeiro de 2025, a subida foi de 2,69 euros (+1,12%).
Do lado das estatísticas oficiais, o INE aponta que, no Inquérito às Despesas das Famílias 2022/2023, a rubrica “produtos alimentares e bebidas não alcoólicas” representou 12,9% da despesa anual média, com um valor de 3.091 euros/ano por agregado, ou cerca de 258 euros por mês (média nacional). Este valor tende a ser mais elevado em agregados com crianças e em zonas onde o custo de vida é mais alto, porque reflete uma média de todos os tipos de famílias.
E quanto aos preços, o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC/HICP) para “alimentos e bebidas não alcoólicas” em Portugal registava variações anuais na ordem dos 3,5% em outubro e novembro de 2025, segundo séries do Eurostat disponibilizadas no Eurosistema.
















