Quando pensamos nos destinos nacionais que mais atraem o capital internacional, os nomes de Lisboa ou Porto surgem imediatamente no topo da lista. No entanto, existe um concelho discreto, historicamente conhecido por ser a porta de entrada dos descobridores, que está a registar um crescimento financeiro muito superior ao das grandes metrópoles. Este “lugar mágico” tornou-se o novo fenómeno de atração de divisas, deixando para trás zonas de veraneio consagradas no continente.
A análise é trazida pelo Jornal Económico, que revela uma subida impressionante no volume de pagamentos efetuados com cartões não nacionais. Os dados mostram que o dinheiro gasto por visitantes estrangeiros nesta localidade disparou de forma abrupta, triplicando os valores registados anteriormente.
O protagonista desta ascensão meteórica é Machico, situado na ilha da Madeira, que se transformou num íman de investimento turístico. Desde 2023, o município viu os gastos de estrangeiros aumentarem 184%, atingindo um total de 53,9 milhões de euros num único ano.
Ultrapassagem a destinos famosos
Os números revelados surpreendem pela comparação direta com outros pesos pesados do turismo português. O concelho madeirense já fatura mais em cartões estrangeiros do que destinos icónicos como a Nazaré, Grândola, Óbidos ou a Figueira da Foz.
Indica a mesma fonte que este volume de negócios coloca a localidade numa posição de destaque no ranking nacional. O valor arrecadado supera o total registado em toda a região da Lezíria do Tejo e aproxima-se rapidamente dos números de cidades como Guimarães e Setúbal.
Crescimento superior à capital
Embora a capital continue a receber a maior fatia do bolo total, a velocidade de crescimento em Machico é incomparavelmente superior. Enquanto Lisboa mantém o seu volume habitual, o concelho insular protagonizou um salto gigante, subindo de forma vertiginosa na tabela dos municípios que mais dinheiro captam.
Explica a referida fonte que este desempenho se deve a uma aceleração turística sem precedentes num território com menos de 20 mil habitantes. A receita gerada por cartões estrangeiros é agora mais do dobro da registada em concelhos vizinhos tradicionalmente fortes, como a Calheta.
O efeito Guerra das Estrelas
Para além da beleza natural e do aumento da oferta de luxo, existe um fator mediático que ajudou a colocar a região no radar global. A escolha da Ponta de São Lourenço para cenário de uma série do universo Star Wars funcionou como uma montra internacional irresistível.
O produtor da série descreveu o arquipélago como um “lugar mágico” e “incrível”, atraindo a curiosidade de fãs e viajantes de todo o mundo. Esta exposição mediática coincidiu com o período em que as receitas começaram a escalar, validando o potencial do destino.
Receitas hoteleiras disparam
A afluência de turistas aos hotéis locais acompanhou esta tendência explosiva, com 110 mil hóspedes registados no último ano. O crescimento da procura foi tão acentuado que, logo no mês de julho, o número de visitantes já tinha igualado o total de todo o ano anterior.
Explica ainda o Jornal Económico que a receita direta na hotelaria subiu 86 por cento, rondando os 10 milhões de euros. Machico afirmou-se assim como uma potência financeira emergente, provando que não é preciso ser Lisboa ou Porto para captar a preferência e a carteira dos estrangeiros.
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