As despesas fixas, como a prestação da casa, continuam a pesar no orçamento das famílias, sobretudo quando estão dependentes da evolução dos mercados financeiros. Uma pequena alteração nas taxas de referência pode representar várias dezenas de euros adicionais por mês e centenas de euros ao longo de um ano.
A prestação da casa vai subir em setembro para os contratos de crédito à habitação com taxa variável indexados à Euribor a três, seis e 12 meses que sejam revistos durante este mês.
A conclusão resulta das simulações realizadas pela DECO PROteste/Contas e Direitos para a Lusa. Os cálculos apontam para aumentos em todos os principais prazos da Euribor, embora com impactos diferentes.
Prestação da casa pode aumentar mais de 70 euros
As simulações têm como referência um empréstimo de 150.000 euros, contratado por um período de 30 anos e com um spread de 1%. Estas condições servem apenas como exemplo. O valor efetivamente pago por cada família depende do capital ainda em dívida, do prazo restante, do spread contratado e da Euribor associada ao empréstimo.
Euribor a 12 meses provoca maior aumento
Nos contratos indexados à Euribor a 12 meses e revistos em setembro, a prestação da casa passa para 712,15 euros.
Trata-se de um aumento de 70,48 euros em comparação com setembro de 2025. Entre os três prazos analisados, este é o agravamento mensal mais elevado apresentado pela DECO PROteste.
Prestação sobe 47 euros nos contratos a seis meses
As famílias com créditos indexados à Euribor a seis meses, cuja prestação seja revista em setembro, passam a pagar 691,53 euros por mês.
O aumento é de 47,42 euros face à prestação calculada na última revisão, realizada em março. Ao longo de seis meses, esta diferença representa um encargo adicional superior a 284 euros.
Revisão trimestral acrescenta quase 24 euros
Nos empréstimos associados à Euribor a três meses, a nova prestação mensal sobe para 674,66 euros. Em comparação com junho, estas famílias passam a pagar mais 23,82 euros por mês. Como a revisão acontece trimestralmente, o valor poderá voltar a mudar dentro de três meses.
Médias da Euribor aumentaram em agosto
Em agosto, a média mensal da Euribor fixou-se em 2,513% no prazo a três meses. Na Euribor a seis meses, o valor médio foi de 2,713%. Já a Euribor a 12 meses registou uma média mensal de 2,954%. São estas médias que ajudam a explicar a subida das prestações dos contratos revistos em setembro.
Como é calculada a nova prestação da casa?
Nos empréstimos com taxa variável, a revisão tem por base a média mensal da Euribor do mês anterior àquele em que o contrato foi celebrado.
Assim, um crédito contratado em setembro e indexado à Euribor a 12 meses é revisto todos os anos com base na média registada em agosto. Nos contratos a seis ou três meses, a atualização acontece com essa periodicidade, de acordo com a Lusa.
Euribor a seis meses continua a ser a mais utilizada
De acordo com dados do Banco de Portugal relativos a junho, a Euribor a seis meses representa 39,9% do conjunto de empréstimos para habitação própria permanente com taxa variável.
A Euribor a 12 meses corresponde a 31,3% destes contratos, enquanto o prazo a três meses representa 24,38%. Em conjunto, estas três taxas abrangem a grande maioria dos créditos à habitação com juros variáveis.
Na sessão desta segunda-feira, a Euribor voltou a subir nos prazos a três, seis e 12 meses face aos valores registados na sexta-feira. A evolução poderá influenciar futuras revisões, mas não altera os cálculos de setembro, que utilizam as médias mensais de agosto.
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