Em muitos países europeus, a pensão de reforma nem sempre garantem um rendimento suficiente para manter o mesmo padrão de vida. O aumento do custo de vida e períodos laborais com remunerações baixas fazem com que muitos reformados procurem formas de complementar o seu rendimento, mantendo-se ativos e independentes.
De acordo com o jornal digital espanhol, Noticias Trabajo, María José tem 64 anos, vive no Finistère, em França, e é reformada. Para conseguir complementar a pensão decidiu criar uma microempresa que vende material escolar ecológico às escolas. Impôs a si própria um limite: “não quero receber um salário superior a 1.000 euros por mês”, disse à imprensa. Esta decisão permite-lhe equilibrar rendimento e carga fiscal e manter o estilo de vida que considera adequado.
María José trabalhou durante quase quatro décadas na venda de eletrodomésticos em Cherburgo e Quimper, ascendendo a cargos de chefia. Problemas de saúde obrigaram-na a interromper a carreira e a enfrentar o desemprego pouco antes da reforma.
Da perda de emprego ao projecto empresarial
O diagnóstico de uma doença crónica levou-a a deixar o emprego aos 60 anos. Nos anos seguintes aceitou contratos temporários, incluindo funções de estafeta e entregas de encomendas, até que em 2024 surgiu uma proposta de colaboração com uma empresa do sul de França especializada na venda de colas e outros produtos escolares amigos do ambiente.
Para aceitar a oferta, María José teve de se inscrever como trabalhadora independente e criar a microempresa que agora gere a tempo parcial.
A adaptação às obrigações administrativas não foi simples. Segundo a mesma fonte, María José desconhecia o funcionamento dos trabalhadores por conta própria e encontrou um mundo cheio de burocracia e riscos de fraude. O apoio da rede BGE, que acompanha e forma empreendedores em França, foi decisivo para desbloquear os trâmites e arrancar com o projecto.
“Não trabalho para o Estado”
Hoje, María José mantém o limite financeiro que definiu e trabalha a meio tempo. A soma que recebe do trabalho complementa a sua pensão líquida de 1.800 euros e evita que a carga fiscal aumente de forma significativa. “Não trabalho para o Estado”, explicou ao Le Figaro, refletindo a sua forma de gerir tempo, autonomia e finanças pessoais.
Em termos legais, em França o acúmulo de pensão com rendimento profissional é permitido, mas depende das regras concretas do regime de reforma e da situação pessoal do beneficiário.
O portal oficial Service-public.fr indica que é necessário declarar os rendimentos corretamente à administração fiscal e à URSSAF, sendo as pensões, salvo exceções, tributáveis. Estas informações legais confirmam que a decisão de María José é compatível com a lei, desde que os procedimentos formais sejam respeitados.
Tal como refere o Noticias Trabajo, María José admite que não procura ser um modelo, mas deixa uma mensagem a quem se aproxima da reforma: “Se puder ajudar, já terei cumprido o meu objetivo”, disse ao diário francês.
Segundo a mesma fonte, está também a poupar para uma viagem ao Canadá, destino que mais aprecia e que visita sempre que tem oportunidade.
















