Projetos que deviam avançar enfrentam atrasos e obstáculos invisíveis, refletindo uma clara estagnação económica na Europa. Em alguns mercados, a atividade mantém-se relativamente estável, mas noutros decisões de investimento e planos de expansão começam a ser travados por fatores estruturais. A incerteza instala-se e as diferenças entre regiões começam a pesar no ritmo de crescimento.
Pressões externas e custos dos materiais
Segundo a European Labour Authority (ELA), agência especializada em coordenação das regras laborais na UE e mobilidade dos trabalhadores, algumas das principais matérias-primas sofreram aumentos significativos devido às tarifas internacionais, pressionando as margens de operação das empresas.
A variação nos custos do aço e do metal tornou-se um fator de impacto silencioso, mas constante, em vários projetos.
Investimentos comerciais em queda
As tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e as medidas de retaliação estão a contribuir para a redução dos investimentos em certos segmentos.
Alguns projetos comerciais chegaram mesmo a ser cancelados. No setor residencial, o crescimento previsto é limitado, dependendo da evolução das taxas de juro e do mercado imobiliário, fatores que afetam diretamente a procura. O risco de crédito mantém-se elevado em países como Áustria, Dinamarca, França, Hungria, Suécia, Turquia, Reino Unido e Coreia do Sul.
Contratos rígidos e margens apertadas
Outro desafio importante prende-se com a natureza dos contratos, muitas vezes com preços fixos. Custos adicionais de mão-de-obra ou materiais não podem ser repassados aos clientes, o que reduz margens e pressiona a saúde financeira das empresas.
A mesma fonte prevê que o risco de crédito se estabilize nos próximos 12 meses, após o pico registado em 2024, mantendo níveis comparáveis apenas aos da crise financeira de 2008.
Exceção positiva: Holanda
Nem todas as regiões enfrentam a mesma pressão. A Holanda apresenta previsões de crescimento mais favoráveis, com 2,4% em 2025 e 1,1% em 2026, impulsionado pela procura no setor residencial.
Este contraste evidencia as diferenças estruturais entre os mercados europeus, onde a disponibilidade de trabalhadores qualificados e o controlo de custos continuam a ser determinantes.
Perspetivas futuras e desafios estruturais
Segundo a ELA, os obstáculos que afetam as empresas europeias refletem um contexto económico marcado por restrições externas e ajustes estruturais. Investidores e gestores são agora obrigados a planear com maior cautela, procurando estratégias que permitam mitigar o impacto desta conjuntura complexa.
Leia também: Nova fraude em Portugal? Não faça qualquer pagamento no Multibanco através desta entidade
















