Parece apenas um pedaço de papel sem importância, mas o talão que muitas pessoas deixam esquecido no Multibanco pode conter dados suficientes para desencadear uma burla. Em tempos de cibercrime cada vez mais sofisticado, este pequeno erro pode sair caro.
Especialistas em segurança digital citados pelo blog de tecnologia e lifestyle, Leak, alertam que os comprovativos bancários impressos em caixas Multibanco, seja de pagamentos, levantamentos ou transferências, contêm elementos que, isolados, podem parecer inofensivos, mas em conjunto oferecem pistas valiosas a quem souber interpretá-las.
Entre os dados mais comuns estão os últimos dígitos do IBAN ou número de conta, o valor movimentado, a entidade e referência do pagamento, a localização do terminal, o tipo de operação, a data e a hora, e até o nome parcial do titular. Para um burlão experiente, isto pode ser suficiente para simular contactos do banco, lançar ataques de phishing ou até montar esquemas de engenharia social.
Burlas construídas a partir de detalhes reais
Um exemplo prático: se alguém encontrar um comprovativo com dados de pagamento recentes, pode enviar um SMS ou email falso com o valor e a hora exatas, alegando um erro ou duplicação. A familiaridade da informação leva muitas vítimas a confiar. “Pagou 84,35€ ontem às 14h05?”, esta simples frase, baseada num dado real, aumenta a eficácia da burla.
Estas estratégias são especialmente eficazes em fraudes por telefone, onde o burlão se faz passar por funcionário bancário e pede dados de acesso ou autorizações para supostas correções. A vítima, apanhada de surpresa, tende a colaborar se a informação for precisa.
Até os levantamentos revelam padrões
Mesmo os talões de levantamentos podem dar origem a esquemas mais elaborados. A frequência, os montantes e os locais habituais de levantamento permitem traçar rotinas. Essa informação pode ser explorada em casos de roubo físico, clonagem de cartões ou outros crimes.
Criminosos experientes conseguem combinar estes dados com informações recolhidas nas redes sociais ou através de fuga de dados de outras fontes para construir perfis detalhados das vítimas, muitas vezes sem que estas se apercebam de como foram expostas.
Desprezo perigoso e hábitos errados
Muitas pessoas deixam os comprovativos para trás por acreditarem que não contêm dados sensíveis, já que não revelam o PIN nem o número completo da conta. Outras simplesmente não querem acumular papel, ou esquecem-se deles por pressa.
Alguns até acreditam que os talões “se apagam” sozinhos após algum tempo, o que é falso. O papel térmico pode perder a tinta, mas os dados continuam legíveis durante dias, tempo suficiente para quem os encontra tirar proveito.
Boas práticas recomendadas
Especialistas citados pela mesma fonte aconselham a levar sempre o comprovativo, mesmo que não se pretenda guardá-lo. A seguir, deve ser rasgado ou destruído antes de ir para o lixo, especialmente se for descartado em locais públicos.
Partilhar comprovativos nas redes sociais, prática comum entre quem quer “provar” que pagou algo, também deve ser evitado. Mesmo que se tape o valor, outros dados podem ser captados, aumentando o risco de fraude.
Se o comprovativo for necessário por razões fiscais ou de controlo de despesas, deve ser arquivado em local seguro. Os restantes devem ser eliminados de forma segura e discreta.
O que fazer se o deixou para trás?
Se suspeita que deixou um comprovativo com dados sensíveis numa caixa Multibanco, verifique de imediato que tipo de operação fez. Em caso de dúvida, mude as credenciais de acesso ao homebanking e fique atento a comunicações bancárias suspeitas.
De acordo com a Leak, e no mundo digital de hoje, basta uma pista, e os talões esquecidos são, infelizmente, um excelente ponto de partida para esquemas fraudulentos. A próxima vez que usar o Multibanco, lembre-se: este pedaço de papel pode parecer inútil, mas para um burlão pode valer centenas de euros.
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