A falta de trabalhadores tornou-se um dos maiores desafios do mercado laboral europeu, com milhões de vagas por preencher ao mesmo tempo que mais de 13 milhões de pessoas continuam desempregadas. Os dados revelam um paradoxo que afeta toda a União Europeia (UE) e que tem levado a Comissão Europeia a adotar novas políticas para tentar equilibrar procura e oferta de emprego.
Segundo o Eurostat, em maio de 2025 cerca de 13,1 milhões de cidadãos estavam sem trabalho na UE. Ainda assim, milhares de empresas não conseguem contratar, refletindo a escassez de mão de obra em vários setores estratégicos. A análise da Euronews Business, citada pela revista especializada maioritariamente em economia e negócios Executive Digest, mostra que, no segundo trimestre do ano, a taxa média de emprego vago foi de 2,1%, ligeiramente inferior aos 2,2% registados no trimestre anterior e aos 2,4% do mesmo período de 2024.
Alemanha lidera em ofertas de emprego
Em termos absolutos, a Alemanha mantém-se na liderança, com mais de 1,05 milhões de postos disponíveis. O país é também o principal destino de migração na Europa, tendo recebido mais de 1,27 milhões de imigrantes em 2023, e contando com cerca de 245 mil portugueses.
O Reino Unido surge em segundo lugar, com 781 mil vagas em aberto, seguido de França, com 504 mil, e dos Países Baixos, que registam cerca de 400 mil. Estes quatro países concentram a maior fatia das oportunidades de trabalho no continente.
Diferenças marcantes entre países
As taxas de emprego vago revelam realidades muito distintas entre Estados-membros. Enquanto a Roménia apresenta apenas 0,6%, os Países Baixos registam 4,2%, uma das percentagens mais elevadas da Europa. Também a Bélgica (4,1%), a Áustria e a Noruega (3,4% cada) e Malta (3%) enfrentam uma procura elevada por trabalhadores, de acordo com a mesma fonte.
Em contrapartida, Espanha e Polónia (0,8%), Bulgária (0,9%) e ainda a Turquia e a Eslováquia (1,1%) registam as taxas mais baixas, sinal de que a procura laboral é mais moderada nestes países.
Oferta desigual no continente
Além dos gigantes como Alemanha, França e Reino Unido, há outros países com mais de 100 mil vagas por preencher, entre eles Bélgica, Áustria, Espanha, Suécia, Noruega e Polónia. Já nos extremos opostos encontram-se a Islândia (5 mil), o Luxemburgo (7 mil), Malta (8 mil) e a Macedónia do Norte (10 mil), que apresentam os números mais reduzidos em termos absolutos.
Portugal em posição intermédia
Embora não lidere os rankings, Portugal não escapa a esta tendência. O país apresenta uma taxa de emprego vago próxima da média europeia, com falta de trabalhadores em áreas como saúde, hotelaria, construção civil e tecnologias de informação. Para muitos especialistas, citados pela Executive Digest, a pressão migratória que se sente noutros países poderá também acentuar-se em território português nos próximos anos.
Este cenário confirma que o desafio europeu não passa apenas por criar empregos, mas também por garantir mão de obra suficiente e qualificada para responder às necessidades de cada economia.
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