Em Espanha, as disputas entre proprietários e ocupantes ilegais têm ganho destaque nos últimos anos, com casos que levantam dúvidas sobre a eficácia das leis e a proteção de quem arrenda. Neste cenário, uma proprietária e comerciante de Palma de Maiorca vê-se obrigada a pagar a luz, a água e o gás de uma família que ocupa ilegalmente a sua casa. Cristina Muñoz, que gere uma loja no centro da cidade, enfrenta há quase um ano esta situação, quando o inquilino deixou de pagar renda, mas continuou a ocupar o imóvel, segundo o jornal digital Okdiario.
Um ano de conflito
A história começou em setembro do ano passado, quando Cristina decidiu arrendar a sua moradia, cuja hipoteca ainda está a pagar. O contrato parecia seguro, mas em março os pagamentos pararam. Ao mesmo tempo, enfrentava um divórcio e tinha a seu cargo quatro filhos, incluindo uma menor. Para agravar a situação, a família que ocupa a casa recusa sair, mesmo depois de Cristina ter acabado de a renovar por completo antes de a arrendar.
“Tenho que fazer-me cargo da minha casa e até pagar-lhes o recibo da luz, que o último foi de 902 euros, mais a minha conta de luz no apartamento onde vivo. Vivem na minha moradia como reis”, contou, citada pela mesma fonte. “A situação está em tribunal e denunciada à Polícia, mas a lei é muito lenta. Pergunto-me se vou conseguir pagar onde estou agora ou se eu e os meus filhos vamos acabar desalojados.”
Negociação falhada
Cristina chegou a propor que abandonassem a casa sem pagar as dívidas acumuladas (seis meses de renda e despesas de serviços), mas a proposta foi recusada.
A proprietária acredita que a ocupante agiu de forma premeditada: “Quando assinámos o contrato apresentou-se como diretora de uma empresa e deu um número de telefone, mas quando ligámos ninguém atendeu.”
Entre a lei e a incerteza
Para Cristina, a lei está do lado errado. “Isto não é justo para nenhuma família. A ocupação destroça vidas e a lei não atua a tempo. A minha filha pequena pergunta quando vamos voltar para casa, mas não tenho resposta.” Enquanto paga simultaneamente renda e hipoteca, outra família vive sem custos na sua propriedade, conforme refere o jornal digital Okdiario.
Segundo a proprietária, a ocupante é “profissional nisto” e o futuro próximo preocupa-a: “O inverno está a chegar, e vejo-me numa situação realmente grave. Estou na corda bamba e sinto-me totalmente desprotegida.”
Casos como o de Cristina têm vindo a aumentar nos últimos anos em várias regiões de Espanha, alimentando o debate sobre a necessidade de alterações legislativas que acelerem os processos de despejo e reforcem a proteção dos proprietários.
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