Portugal corre o risco de ficar fora da organização do Mundial 2030, numa altura em que se agrava o conflito entre a FIFA e a UEFA sobre o futuro das competições internacionais. Em causa está uma proposta liderada por Gianni Infantino que pode alterar a forma como são geridas todas as provas organizadas pela FIFA, incluindo o Campeonato do Mundo.
Segundo o Correio da Manhã, a UEFA decidiu boicotar as competições da FIFA e a organização do Mundial se avançar a intenção de entregar a gestão operacional a uma empresa privada, a Football Events, entretanto associada a Donald Trump. A decisão pode ter impacto direto na candidatura conjunta de Portugal, Espanha e Marrocos ao Mundial 2030.
UEFA ameaça boicotar provas da FIFA
De acordo com o jornal, nenhuma seleção nacional europeia participaria em qualquer competição da FIFA enquanto as propostas se mantivessem ativas, a menos que fossem abandonadas na sua totalidade. A posição foi comunicada pela UEFA aos seus 55 associados, deixando claro que a contestação não se limita a uma prova específica.
O ponto central do conflito está na criação de uma nova entidade para gerir todos os eventos da FIFA. Essa estrutura ficaria responsável pela organização e exploração comercial das provas, o que, segundo a UEFA, transformaria a participação nas competições numa obrigação permanente e sujeita a condições definidas fora do modelo atual.
A UEFA recusa que “cada decisão” passe a ser “orientada pelos acionistas”, considerando que a modalidade ficaria excessivamente dependente de interesses comerciais. A preocupação do organismo europeu prende-se com o risco de as competições internacionais passarem a funcionar segundo uma lógica empresarial, em vez de respeitarem o equilíbrio entre federações e organizações desportivas.
Portugal pode ser afetado pelo conflito
Para Portugal, o risco surge por causa do Mundial 2030, que está previsto ser organizado em conjunto com Espanha e Marrocos. O torneio tem também uma dimensão simbólica especial, por assinalar o centenário da primeira edição do Campeonato do Mundo.
O Correio da Manhã escreve que, se o conflito entre FIFA e UEFA escalar até ao ponto de boicote, Portugal e Espanha podem ficar afastados da organização da prova. A ameaça europeia ganha peso porque envolve as federações do continente, cuja participação é essencial para a viabilidade competitiva e comercial dos torneios da FIFA.
A proposta em discussão prevê ainda uma receita extra para convencer os 211 membros da FIFA. Segundo o mesmo jornal, Gianni Infantino acena com um valor adicional para cada federação, pago ao longo de 12 anos, num total de 44 milhões de euros.
Associação europeia de clubes também se opõe
A contestação não vem apenas da UEFA. A Associação Europeia de Clubes, liderada por Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain, também se opõe ao projeto e já alertou para as consequências da proposta.
Em mensagem citada pelo Correio da Manhã, a associação europeia de clubes considerou que a criação da Football Events representa uma “violação de princípio” da FIFA contra Infantino. A organização afirmou ainda que avançaria com “vigor” nas suas associações caso a proposta fosse estudada.
Apesar da resistência europeia, o processo continua em aberto. Se a FIFA insistir no novo modelo e a UEFA mantiver a ameaça de boicote, a organização do Mundial 2030 pode tornar-se uma peça central neste braço de ferro entre os dois organismos.
Para já, Portugal mantém-se associado à candidatura conjunta com Espanha e Marrocos. No entanto, o desfecho do conflito entre FIFA e UEFA poderá ser determinante para perceber se a prova avança nos moldes previstos ou se o Mundial 2030 entra numa fase de maior incerteza.















