Loulé integra o percurso da quinta edição da Todos São Palco – Mostra de Teatro Além do Equador, que leva seis espetáculos a 13 cidades portuguesas, cinco dos quais provenientes da Amazónia, numa programação dedicada ao presente e ao futuro da região.
Subordinada ao tema “Amazónias Futuras”, a iniciativa decorre entre 17 de setembro e 17 de outubro e reúne artistas do Brasil, da Colômbia e do Peru. As criações partem da Amazónia enquanto território geográfico, simbólico, político e cultural para abordar questões como as alterações climáticas, a colonização, os povos originários e as identidades culturais da América do Sul.
A programação junta artistas oriundos de Manaus, Bogotá, Lima, Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza e Natal e será apresentada em Coimbra, Aveiro, Loulé, Mafra, Penafiel, Santarém, Alcanena, Ourém, Viana do Castelo, Águeda, Lousã, Marinha Grande e Porto.
Loulé recebe dois espetáculos
O Algarve recebe “As Cores da América Latina”, da companhia Panorando, de Manaus. O espetáculo cruza dança e teatro a partir da história do último Fofão, personagem do Carnaval Maranhense, e venceu, em 2024, o Prémio Shell de Teatro na categoria Destaque Nacional.
Além de Loulé, a produção passará por Coimbra, Penafiel, Mafra, Santarém e Alcanena.
Também estará em cena em Loulé “O Avesso da Pele”, do Coletivo Ocutá, de São Paulo. A peça adapta o romance homónimo de Jeferson Tenório e acompanha Pedro numa investigação sobre as origens da família, depois de o pai ter sido assassinado pela polícia.
O espetáculo será igualmente apresentado em Coimbra, Aveiro e Ourém.
Loulé acolherá ainda atividades do programa paralelo da mostra, que inclui oficinas, “masterclasses” e conversas sobre literatura, dramaturgia, encenação, performance, dança, sustentabilidade, igualdade e identidade. Estas iniciativas decorrerão sobretudo na Oficina Municipal do Teatro, em Coimbra, mas também em Aveiro, Loulé e Santarém.
Artistas da Colômbia e do Peru estreiam trabalhos em Portugal
Da Colômbia chega “Los Devoró la Selva”, de Eloisa Jaramillo e Mateo Mejía. Criado a partir da obra “A Voragem”, de José Eustasio Rivera, o espetáculo centra-se na relação entre o corpo, a floresta e a crise ambiental da Amazónia e será apresentado em Aveiro e Coimbra.
O grupo peruano Yuyachkani estreia-se em Portugal com “DES-CONOCIDO”, um solo de Julián Vargas, com dramaturgia e direção de Miguel Rubio Zapata, que aborda temas como a saúde mental, o confinamento, o esquecimento e a exclusão. A produção passará por Coimbra, Penafiel e Aveiro.
A artista brasileira Uýra apresentará “Ponto Final, Ponto Seguido”, uma performance-ritual destinada a ocupar praças de Coimbra e Aveiro.
Nas mesmas cidades, o Ateliê 23, de Manaus, fará a antestreia mundial de “Fértil em Terras Áridas”, uma criação sobre a condição de artista num contexto marcado pelo poder corrupto. O espetáculo inclui um jantar de gastronomia amazónica.
Residências envolvem artistas e comunidades
A quinta edição da Todos São Palco inclui ainda duas residências artísticas. “Panchito Gonzales”, de Wellington Fagner, e “109 Desejos de Futuro”, de Henrique Fontes e Francis Wilker, envolverão artistas e comunidades locais e culminarão em apresentações públicas.
Coimbra e Aveiro mantêm-se como os principais centros da iniciativa, que este ano se alarga a Penafiel e Mafra. O Porto recebe também apresentações através de uma parceria com o Festival Quilombo_Trema!.
A inclusão de artistas de três países da América do Sul levou à alteração do subtítulo da iniciativa, que deixou de se designar “Mostra de Teatro Brasileiro” e passou a chamar-se “Mostra de Teatro Além do Equador”.
Criada e organizada pelo Teatrão, de Coimbra, a mostra é coproduzida por 16 instituições culturais, 14 das quais integram a Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses. A curadoria pertence ao dramaturgo e professor Jorge Louraço Figueira.
A Todos São Palco teve as primeiras edições em 2012 e 2013, regressando em 2022 com periodicidade bienal. A edição desse ano, integrada nas comemorações dos 200 anos da independência do Brasil, abordou versões não oficiais do processo histórico.
Em 2024, quando se assinalaram os 50 anos da Revolução dos Cravos, a programação centrou-se nos trabalhos de Augusto Boal e Zé Celso.
A quinta edição é financiada pelo IBERESCENA, pela Direção-Geral das Artes, pela Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses e pelo Município de Coimbra.
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