Apresentado na Feira do Livro de Monchique, o ecossistema cultural “Meia Laranja” usa a memória das populações como matéria de criação artística participativa e pretende estender-se a todo o Algarve, com particular atenção aos territórios de baixa densidade.
A iniciativa nasceu do livro homónimo de Gabriela Pacheco e foi apresentada no sábado, 1 de agosto, durante o momento cultural “Fora do Livro”, integrado na 16.ª edição da Feira do Livro de Monchique.
A conversa, moderada por Analita Santos, reuniu António Manuel Venda, Glória Marreiros, Graça Candeias, Cobramor e Gabriela Pacheco, cruzando a criação literária, a identidade regional e a vida dos autores para além dos livros.
Do livro à criação artística participativa
A obra literária deu origem a duas vertentes complementares, intituladas “Anatomia dos Gomos” e “Anatomia Coletiva”. Ambas integram a recolha e a partilha das memórias das populações num processo de criação artística orientado para a valorização do património imaterial algarvio.
“O ecossistema cultural Meia Laranja nasce da necessidade de ouvir, registar e valorizar a memória das populações, transformando a vivência individual num património comunitário partilhado”, afirma Gabriela Pacheco, autora do livro e mediadora cultural.
Com o apoio da Unidade de Cultura da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, o projeto prevê um trabalho de proximidade, através do qual artistas locais percorrem o território para recolher histórias e experiências das comunidades.
Essas memórias são depois transformadas em conteúdos artísticos originais. O processo deverá culminar num espetáculo dirigido à própria comunidade, devolvendo-lhe, sob a forma de criação artística, as vivências partilhadas durante a recolha.
Memórias dos mais velhos como património vivo
A iniciativa pretende envolver diretamente artistas regionais e habitantes, aproximando a criação artística das várias comunidades algarvias.
Entre os objetivos encontra-se a valorização das memórias das gerações mais velhas, entendidas pelo projeto como parte viva da identidade e da história local.
“A cultura só cumpre plenamente a sua função quando chega a todas as gerações. Ao levar a arte ao território e ao devolver à comunidade o seu contributo sob a forma de espetáculo, estamos a reforçar laços de pertença e a construir memória coletiva”, sustenta Gabriela Pacheco.
A Associação JuvAlbuhera, entidade que acolhe “Anatomia dos Gomos” e “Anatomia Coletiva”, está a estabelecer parcerias para levar a intervenção a diferentes pontos do Algarve, com especial atenção às zonas de baixa densidade.
A Feira do Livro de Monchique decorre até 9 de agosto na Galeria de Santo António, diariamente entre as 11:00 e as 20:00.






A.Pinto / HDF
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