A 1.ª fase do acesso ao ensino superior colocou 1.625 estudantes beneficiários do escalão A da ação social escolar, com a maioria a ingressar através do contingente reservado aos candidatos mais carenciados.
Os dados oficiais do Instituto para o Ensino Superior (IES), divulgados na noite de sexta-feira, mostram que estes alunos representam cerca de 3% do total de colocados no Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior.
Dos 1.625 estudantes do escalão A que conseguiram uma vaga, 1.252 beneficiaram do contingente prioritário criado em 2023.
Em 2025, tinham sido colocados 1.548 estudantes com aquele nível de apoio social, dos quais 1.123 através do contingente específico. Este ano, entraram por essa via mais 129 alunos.
Contingente reserva 2% das vagas
O contingente prioritário para beneficiários do escalão A da ação social escolar foi criado em 2023 pelo Governo liderado por António Costa.
O mecanismo reserva 2% das vagas disponíveis na 1.ª fase do concurso aos estudantes mais carenciados, que enfrentam habitualmente maiores dificuldades no acesso ao ensino superior.
No primeiro ano de aplicação, o número de beneficiários do escalão A colocados duplicou, atingindo cerca de 2.800 jovens.
O crescimento registado este ano acompanhou o aumento global do número de colocações, depois da quebra observada em 2025.
Entre os mais de 60 mil candidatos à 1.ª fase, 49.991 obtiveram uma vaga numa instituição pública, mais 6.092 do que no ano anterior. Foram assim ocupadas 88,9% das vagas disponíveis.
Apesar dos problemas verificados na classificação dos exames nacionais e na divulgação das notas, este foi o maior número de colocados da última década, com exceção de 2020, quando vigoraram regras extraordinárias devido à pandemia de covid-19.
Nova bolsa de incentivo vale 1.075 euros
O ano letivo de 2026/2027 marca também o início da aplicação faseada de um novo modelo de ação social, apresentado em maio pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação.
O futuro sistema calculará as bolsas dos estudantes mais carenciados considerando o custo médio de frequentar o ensino superior e o rendimento que cada família pode disponibilizar ao aluno.
Nesta primeira fase, entram em vigor alterações ao estatuto de estudante deslocado, ao apoio ao alojamento e uma nova bolsa de incentivo.
O apoio, no valor de 1.075 euros e acumulável com a bolsa de estudo, destina-se a estudantes que, em 31 de maio de 2026, integravam agregados familiares beneficiários do 1.º escalão do abono de família.
Até às 15:00 de sexta-feira tinham sido apresentados 608 requerimentos. A atribuição será automática depois da confirmação da matrícula e da verificação dos restantes critérios de elegibilidade.
Apoio ao alojamento aumenta
Os estudantes bolseiros deslocados mantêm prioridade no acesso às residências públicas e passam a receber um complemento mensal para alojamento correspondente a 30% do Indexante dos Apoios Sociais.
O valor representa um aumento de 20% face à comparticipação anterior.
Quem não conseguir vaga numa residência terá direito a uma majoração calculada em função do custo estimado do alojamento no respetivo concelho, sem necessidade de apresentar contrato de arrendamento.
Mais colocações noutros contingentes
O aumento não se limitou aos estudantes mais carenciados. Foram colocados 266 candidatos com deficiência através do respetivo contingente prioritário, mais 75% do que no ano passado.
No contingente destinado a emigrantes, familiares e lusodescendentes entraram 406 estudantes, traduzindo uma subida de 33,6%.
Cresceu igualmente o número de colocados através do contingente para militares, com mais 85%, e das preferências regional e habilitacional, que aumentaram 17% e 100,6%, respetivamente.
A preferência habilitacional destina-se a candidatos a cursos politécnicos que concluíram o ensino secundário em vias profissionalizantes, artísticas ou tecnológicas.
As colocações da 1.ª fase foram divulgadas às 00:01 deste domingo na página do IES. Os estudantes colocados têm até 27 de agosto para realizar a matrícula.
Leia também: Desigualdade no acesso ao ensino superior persiste: afinal, o que aprendemos até aqui? | Por Henrique Dias Freire















