Há pessoas que parecem falar vários tons acima de toda a gente, seja numa conversa à mesa, ao telefone ou num simples encontro entre amigos. É fácil interpretar este comportamento como falta de educação, irritação ou até uma tentativa de dominar a conversa, mas a explicação pode ser bastante diferente.
Falar alto não significa, por si só, que uma pessoa esteja zangada ou seja agressiva. O volume da voz é apenas uma das várias pistas utilizadas para transmitir emoções e deve ser interpretado juntamente com o tom, as palavras, os gestos e o contexto da conversa.
De acordo com o portal espanhol Okdiario, em alguns casos, quem fala mais alto pode nem sequer ter consciência de que está a fazê-lo. Personalidade, emoções, ambiente familiar e hábitos adquiridos ao longo da vida estão entre os fatores que podem ajudar a explicar esta forma de comunicar.
Falar alto não significa necessariamente estar zangado
Associar uma voz elevada a uma discussão é uma reação bastante intuitiva. Quando alguém aumenta subitamente o volume, quem está à volta pode interpretar esse comportamento como um sinal de irritação ou conflito.
No entanto, uma voz mais intensa também aparece associada a emoções que nada têm que ver com agressividade. Alegria, entusiasmo, surpresa ou nervosismo podem fazer uma pessoa aumentar naturalmente o volume enquanto fala.
É por isso que observar apenas o volume não é suficiente para concluir que alguém está zangado. Uma pessoa entusiasmada a contar uma história pode falar muito mais alto sem qualquer intenção de intimidar quem está à sua volta.
Há pessoas que sentem e expressam as emoções com maior intensidade
A voz muda de acordo com aquilo que estamos a sentir. Quando aumenta a ativação emocional, podem também ocorrer alterações no ritmo, intensidade e tom utilizados durante uma conversa.
Isto ajuda a explicar por que determinadas pessoas parecem aumentar o volume sempre que falam de um assunto que as entusiasma.
O mesmo indivíduo pode, por exemplo, falar normalmente durante uma conversa banal e tornar-se bastante mais expressivo quando começa a falar sobre família, futebol, viagens ou qualquer outro tema pelo qual tenha particular interesse.
Nestes casos, falar mais alto pode estar relacionado com a intensidade com que a emoção está a ser expressa e não necessariamente com uma atitude agressiva.
A forma como cresceu também pode ter influência
Outro fator importante encontra-se nos hábitos adquiridos desde a infância.
Quem cresceu numa família numerosa, numa casa onde várias pessoas falavam ao mesmo tempo ou num ambiente naturalmente ruidoso pode ter aprendido a aumentar o volume simplesmente para conseguir ser ouvido.
Ao repetir esse comportamento durante anos, falar dessa forma pode tornar-se natural. A pessoa deixa de sentir que está a levantar a voz e passa a considerar aquele volume como a sua maneira habitual de comunicar.
O ambiente cultural também pode ter influência, uma vez que a intensidade considerada normal numa conversa não é necessariamente igual em todas as sociedades.
Algumas pessoas podem nem perceber que estão a falar tão alto
Esta é outra explicação importante. Nem sempre existe uma decisão consciente de elevar a voz.
Uma pessoa pode considerar que está a utilizar um tom perfeitamente normal enquanto aqueles que estão à sua volta sentem que está a falar demasiado alto.
O ambiente também conta. Quando existe muito ruído de fundo, é natural aumentar a voz para conseguir ser ouvido. Depois de algum tempo, esse hábito pode prolongar-se mesmo quando já não existe necessidade de falar tão alto.
Também existem situações relacionadas com a audição que podem alterar a perceção que uma pessoa tem do volume da própria voz.
Personalidade também pode estar relacionada com a intensidade da voz
Alguns trabalhos científicos encontraram associações entre características da personalidade e a intensidade utilizada ao falar.
Um estudo com 871 crianças em idade escolar, por exemplo, encontrou uma associação positiva entre intensidade da voz e extroversão, embora este tipo de relação não permita concluir como será a personalidade de alguém apenas pela maneira como fala.
Ou seja, uma voz forte pode acompanhar determinadas características individuais, mas não funciona como um teste de personalidade.
É importante evitar conclusões como considerar automaticamente uma pessoa mais agressiva, dominante ou mal-educada apenas porque utiliza um volume superior ao dos restantes.
O contexto é que permite perceber a diferença
Levantar a voz e utilizar a voz para intimidar alguém são comportamentos diferentes.
Se o aumento de volume surge acompanhado por ameaças, insultos, humilhação ou outros comportamentos intimidatórios, o contexto muda completamente.
Por outro lado, alguém que gesticula e fala alto enquanto conta uma história com entusiasmo pode simplesmente ter uma forma mais expressiva de comunicar.
Por isso, antes de concluir que alguém que fala muito alto está zangado ou a ser mal-educado, vale a pena observar toda a situação. A psicologia mostra que a explicação pode estar nas emoções, na personalidade, nos hábitos adquiridos ou simplesmente na forma como aquela pessoa aprendeu a comunicar.
Leia também: Guardar todos os talões das compras não é mania: psicologia explica o que este hábito pode revelar
















