Com os dias quentes a chegar, muitos condutores voltam a colocar a mesma questão: será que consigo poupar mais combustível manter os vidros abertos ou ao ligar o ar condicionado? A resposta não é assim tão óbvia, porque depende principalmente da velocidade a que conduz. E, segundo um estudo recente, essa diferença pode ter um impacto direto na carteira.
O jornal espanhol El Economista, citado pela Executive Digest, divulgou um estudo realizado pela Sociedade de Engenheiros Automóveis (SAE), que procurou esclarecer esta dúvida. Através de testes práticos, ficou provado que a velocidade do veículo tem um papel determinante na escolha mais económica entre ar condicionado ou janelas abertas.
O ponto de viragem identificado foi 64,4 km/h. Abaixo desta velocidade, circular com os vidros abertos é mais eficiente. Acima dela, o ar condicionado torna-se a melhor opção para poupar combustível.
Os testes em túnel de vento
Para chegar a esta conclusão, os investigadores recorreram a um túnel de vento da General Motors. Foram utilizados dois modelos com motores potentes: um sedan V8 de 4,6 litros e um SUV V8 de 8,1 litros. Cada veículo foi testado a velocidades de 50 km/h, 80 km/h e 110 km/h.
O objetivo dos engenheiros era simples: perceber como o consumo variava com o uso de ar condicionado e com os vidros abertos, em diferentes condições de condução.
Consumos baixos, penalização alta
A velocidades reduzidas, como 50 km/h, os testes mostraram que o ar condicionado mantém um consumo estável, mas representa um aumento no consumo total entre 5% e 10%. Como a entrada de ar pelas janelas não afeta significativamente a aerodinâmica, a escolha mais económica é mesmo andar com os vidros abertos.
Esta conclusão aplica-se sobretudo a percursos urbanos, onde os arranques e travagens frequentes mantêm a velocidade média baixa. Nestes contextos, desligar o ar condicionado pode traduzir-se numa poupança real ao fim do mês.
Acima dos 80 km/h, o cenário muda
No entanto, quando a velocidade ultrapassa os 80 km/h, o impacto dos vidros abertos torna-se visível, refere a mesma fonte. O aumento da resistência do ar obriga o motor a trabalhar mais para manter o ritmo, e isso traduz-se em maior consumo.
Os dados mostraram que o sedan perdeu 20% da eficiência a 112,7 km/h com os vidros abertos. Já no SUV, a perda foi de 8%. Apesar da diferença entre modelos, a recomendação foi clara: em estrada ou autoestrada, é melhor fechar os vidros e ligar o ar condicionado.
Cada carro reage de forma diferente
Importa referir que este estudo foi feito com veículos de grande porte. Noutros modelos, com aerodinâmicas diferentes, os números podem variar, mas a lógica mantém-se. A aerodinâmica influencia o consumo, e quanto maior a turbulência provocada pelos vidros abertos, maior será o esforço do motor.
Em carros mais pequenos ou citadinos, o impacto pode até ser maior em velocidades médias, porque são mais leves e menos preparados para lidar com o arrasto do ar, concluem os engenheiros, citados pela mesma fonte.
O que fazer em percursos urbanos
Dentro das localidades, com trânsito constante, semáforos e velocidades reduzidas, a melhor opção parece continuar a ser manter os vidros abertos. Permite refrescar o interior do carro com menor impacto no consumo e evita o esforço contínuo do sistema de climatização.
Mesmo nos dias mais quentes, bastam alguns minutos com os vidros abertos para ajudar a equilibrar a temperatura, sobretudo se o veículo estiver à sombra ou em movimento lento.
Pequenos hábitos que fazem a diferença
Se optar por usar o ar condicionado, há formas de o fazer com mais eficiência, referem ainda os engenheiros, citados pela Executive Digest. Abrir os vidros durante os primeiros minutos para expulsar o ar quente acumulado ajuda. Regular a temperatura de forma moderada, em vez de usar o máximo, também contribui para poupar combustível.
Além disso, fazer a manutenção regular do sistema de ar condicionado, incluindo a verificação do gás refrigerante, evita consumos desnecessários e garante melhor desempenho.
Poupar combustível também passa por decisões simples
O estudo da SAE mostra que não há uma resposta única para todos os casos, mas sim uma regra prática útil: abaixo dos 64 km/h, baixe os vidros. Acima dessa velocidade, feche tudo e ligue o ar condicionado. Esta escolha, aplicada com consciência ao seu tipo de condução, pode resultar numa poupança considerável ao longo do tempo, sem comprometer o conforto ao volante.
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