Franck Saless, engenheiro mecânico francês, desenvolveu um método aparentemente simples, mas eficaz, para poupar nas portagens das autoestradas. A técnica, que consiste em sair e voltar a entrar na mesma via em pontos específicos, permite poupanças significativas, e o mais surpreendente é que é totalmente legal.
De acordo com o programa Complément d’Enquête, da estação pública France TV, Franck Saless passou quase dez anos a estudar tarifas e relatórios do Tribunal de Contas francês até chegar à fórmula. A sua conclusão é clara: os preços dos trajetos nas autoestradas não são determinados apenas pelos quilómetros percorridos, mas sim pelas entradas e saídas registadas.
O truque está no bilhete
A lógica é contraintuitiva, mas comprovada: ao sair numa portagem intermédia e regressar de imediato à mesma autoestrada, o valor cobrado à chegada pode ser inferior ao que seria pago num percurso direto.
Segundo a investigação conduzida por Saless, o sistema tarifário francês aplica frequentemente valores mais altos quando a origem e o destino pertencem a zonas tarifárias distintas, mesmo que o percurso real seja mais curto. Ao sair e voltar a entrar, quebra-se essa ligação direta, e o valor cobrado pode ser mais baixo.
Foi o que aconteceu, por exemplo, no trajeto entre Nantes e Angers. A viagem habitual custa 9,80 euros. Com a saída em Ancenis e reentrada imediata, Saless pagou 3,50 euros no primeiro troço e 5,10 euros no segundo, um total de 8,60 euros. O tempo perdido? Dois minutos.
Viagens mais baratas, minuto a minuto
Aplicando o mesmo raciocínio, Saless conseguiu poupar 2,90 euros entre Paris e Lille e mais de 10 euros entre Rouen e Le Mans. De acordo com a France TV, estas reduções representam entre 15% e 30% do valor original.
O engenheiro disponibilizou os seus cálculos e demonstrações no seu próprio site, onde partilha os pontos ideais para sair e voltar a entrar na autoestrada, dependendo da rota e das concessionárias envolvidas.
Em Espanha também resulta
A técnica não se limita a França. Segundo o jornal La Voz de Galicia, o mesmo método foi testado com sucesso nas portagens autoestrada AP-9, que liga A Corunha a Ferrol. Ao sair na portagem de Cabanas e regressar de imediato, o custo desceu de 4,75 euros para 4,45 euros. As saídas em Miño ou Santa Marta também permitiam poupanças semelhantes.
O impacto no tempo de viagem foi mínimo, com acréscimos entre dois a três minutos. O jornal garante que a operação é legal e não viola qualquer regra da concessionária.
E em Portugal?
Por cá, a ‘técnica do entra‑e‑sai’ não gera poupança: as portagens nacionais são calculadas de forma praticamente linear, somando o preço de cada troço percorrido. Se sair e voltar a entrar, paga‑se cada segmento em separado, o que resulta num custo idêntico, ou superior, ao percurso directo.
Nas ex‑SCUT com pórticos electrónicos, a situação é ainda menos vantajosa, já que cada leitura adicional acrescenta mais um débito. Em suma, ao contrário de algumas auto‑estradas francesas ou espanholas, o tarifário português não contém suplementos fixos evitáveis; sair antes do destino apenas consome tempo e combustível, sem qualquer desconto.
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