Se está a ponderar comprar pneus usados, antes de decidir, há um detalhe que muitos condutores ignoram e que pode fazer toda a diferença entre uma poupança aceitável e um risco desnecessário. O preço mais baixo pode ser tentador, mas nem sempre conta a história toda.
A diferença de valor face a um conjunto novo pode chegar a várias dezenas ou até centenas de euros. Num contexto de orçamento apertado, a escolha parece óbvia. No entanto, quando se fala de pneus, fala-se do único ponto de contacto entre o veículo e a estrada.
De acordo com o portal Razão Automóvel, especializado em assuntos auto, a opção por pneus novos continua a ser, regra geral, a solução mais equilibrada em termos de segurança, desempenho e durabilidade. Ainda assim, existem situações específicas em que os pneus usados podem ser considerados.
Nem sempre é uma má escolha
Há contextos em que um pneu usado pode fazer sentido. Por exemplo, numa substituição temporária após um furo, ou em veículos que percorrem poucos quilómetros por ano e realizam apenas trajetos curtos.
Segundo explica o Razão Automóvel, também em automóveis clássicos ou modelos raros pode ser difícil encontrar pneus novos com as medidas originais, tornando os usados uma alternativa prática.
Mas estas exceções não eliminam os riscos.
O detalhe que muitos ignoram
O fator mais negligenciado não é apenas a profundidade do piso. É a idade real do pneu.
Mesmo que apresente bom aspeto exterior e sulcos aparentemente aceitáveis, a borracha degrada-se com o tempo. A elasticidade diminui, a aderência reduz-se e a resistência estrutural pode ficar comprometida.
A data de fabrico está inscrita na lateral do pneu, no código DOT. Os quatro últimos dígitos indicam a semana e o ano de produção. Um pneu fabricado há mais de seis anos pode já não oferecer o desempenho esperado, mesmo que nunca tenha sido utilizado intensivamente.
De acordo com a mesma publicação, este é um dos pontos que muitos compradores não verificam, concentrando-se apenas no preço e no estado visível.
Riscos que não se veem a olho nu
Outro problema prende-se com o histórico desconhecido. Não é possível saber como o pneu foi utilizado, se circulou com pressão inadequada ou se sofreu impactos que possam ter danificado a estrutura interna.
Mesmo uma inspeção visual cuidadosa pode não revelar fragilidades internas. Fissuras, deformações ou danos na carcaça podem comprometer a segurança sem sinais exteriores evidentes.
Além disso, pneus com banda de rodagem próxima do limite legal de 1,6 milímetros oferecem menor aderência, sobretudo em piso molhado. A distância de travagem aumenta e o risco de aquaplanagem torna-se mais elevado.
O que deve confirmar antes de comprar
Se optar por pneus usados, há verificações essenciais.
A profundidade do piso deve ser superior ao mínimo legal. Idealmente, um pneu usado deverá ter pelo menos 5 milímetros de sulco para garantir um desempenho razoável.
As paredes laterais devem estar livres de cortes, rachas, bolhas ou desgaste irregular. E, acima de tudo, confirme o código DOT para perceber a idade real do pneu.
Sempre que possível, compre em estabelecimentos com reputação reconhecida e que ofereçam algum tipo de garantia ou possibilidade de devolução.
Comprar pneus usados não é automaticamente uma má decisão. Mas ignorar a idade da borracha e o histórico desconhecido pode transformar uma aparente poupança numa despesa maior no futuro. Antes de decidir, vale a pena olhar para além do preço.
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